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	<title>Vereda Estreita &#187; Patrimônio</title>
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	<description>Cultura</description>
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		<title>Culturas</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Jan 2011 06:30:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colunista</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vaticano. Foto: Olegário A. Filho Geralmente, quando se fala de cultura, não se considera a abrangência e a plurissignificação do termo. Na realidade, o conceito de cultura pode significar várias coisas. O mau uso do termo acaba por descredenciar o interlocutor a um discurso legítimo, fazendo com que seu poder social perca força, transformando a [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2011/01/26/culturas/' addthis:title='Culturas '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"tw:via="vereda_estreita"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5 style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2752" title="vaticano_olegario_a_filho" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2011/01/vaticano_olegario_a_filho.jpg" alt="" width="425" height="278" />Vaticano. Foto: Olegário A. Filho</h5>
<p style="text-align: justify;">Geralmente, quando se fala de <strong>cultura</strong>, não se considera a abrangência e a plurissignificação do termo. Na realidade, o conceito de cultura pode significar várias coisas. O mau uso do termo acaba por descredenciar o interlocutor a um discurso legítimo, fazendo com que seu poder social perca força, transformando a sua causa em causa perdida.</p>
<p style="text-align: justify;">Podemos começar com a definição que nos é mais distante: <strong>cultura como criação</strong>. Científica, mesmo. Uma cultura de bactérias, por exemplo. É cultura, de cultivar. Esta não nos interessa. Aqui, cultura é um termo técnico, a serviço do experimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Passemos aos <strong>significados sociais de cultura</strong>. Há dois que gostaria de destacar. O <strong>primeiro</strong> deles é o mais abrangente. <strong>Cultura como o conjunto de manifestações</strong> que identificam um povo como diferente do outro. Assim sendo, temos a cultura japonesa, que compreende sua culinária, modos específicos de vestimenta, tradições, etc. Temos a cultura francesa, a italiana &#8211; operesca e cheia de pomodoro &#8211; e tantas quanto possíveis.</p>
<p style="text-align: justify;">A cultura, neste caso, é o traço que diferencia essencialmente uma sociedade de outra. Um agrupamento de pessoas de outro. É uma definição que, na diversidade que nos envolve, acaba sendo simplificadora demais, e coloca pessoas singulares dentro de grupos culturais que lhes são estranhos. É o caso de dizer, por exemplo, que a capoeira é um traço da cultura brasileira, enquanto os efetivos praticantes não passam de uma minoria. Sendo assim, para estar conceitualmente coerente, o interlocutor, ao se referir a esta definição de cultura, deveria falar sobre traços universais dentro de um agrupamento social. No caso do Brasil, difícil tarefa. Restaria o arroz e feijão, a novela das 9 e mais uma ou outra coisa.</p>
<p style="text-align: justify;">Perceba que o assunto vai ficando mais e mais embaçado, e você, que achava que entendia de cultura, começa a se perguntar o que sabia. É este nosso objetivo. O pensamento do filósofo está sempre em suspensão, sempre questionando e desconstruindo.</p>
<h5 style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2759" title="pieta_olegario_a_filho" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2011/01/pieta_olegario_a_filho.jpg" alt="" width="425" height="233" />Pietà, de Michelangelo. Foto: Olegário A. Filho</h5>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Outra</strong> definição de <strong>cultura é aquela que envolve produções</strong> que poderíamos chamar de <strong>artísticas</strong>. Aqui a coisa fica difícil. E muito. Sabe-se que o homem tem em si uma necessidade de manifestação que lhe é inata. É o animal que melhor sabe manifestar seus sentimentos, quando tem consciência deles. Fá-lo das mais diversas e incríveis maneiras. Desde pequeno. Mas dizer o que é cultura e o que não é torna-se tarefa penosa e desgastante.</p>
<p style="text-align: justify;">Porque a atribuição de sentido é sempre dada socialmente. Não existe a idéia de cultura pronta em Júpiter, da qual podemos extrair a essência do termo e comparar com nossas manifestações. Se houvesse, a vida seria mais simples, sem dúvida.</p>
<p style="text-align: justify;">Resta, então, aos agentes sociais, lutar pela definição do que seja e do que não seja cultural. E aí ficou estabelecido, porque assim quiseram os vencedores, que a música de um certo tipo é mais cultural que a outra, que quadros de épocas diferentes, de pintores diferentes e de estilos diferentes tenham também valores diferentes, sempre usando critérios diferentes. Por isso podemos constatar que obras e produções por vezes passam anos esquecidas e, de repente, adquirem valor tremendo.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós, no Brasil sentimos na pele, historicamente, o peso da luta pela definição do bem cultural. Ou você acha que a nossa adoração por itens franceses, italianos, até americanos é natural e necessária? Não é. Acontece que, no Brasil, como você sabe, as camadas mais abastadas da população sempre procuraram diferenciar-se da &#8216;ralé&#8217;. Para tanto, buscavam aquilo que a tal &#8216;ralé&#8217; jamais poderia ter, ou seja, bens do exterior, sempre mais caros e glamorosos. Mas não em si, apenas porque diferenciavam os dominantes dos dominados.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta situação, de associar a cultura &#8216;legítima&#8217; ao capital não é de hoje. Sabe-se muito bem que quase toda a produção artística admirada hoje foi feita a mando dos poderosos, foi custeada pelos famosos mecenas. É inevitável ponderar como poderia ter sido a produção cultural se houvesse espaço para todo o tipo de manifestação.</p>
<h5 style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2757" title="balao_olegario_a_filho" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2011/01/balao_olegario_a_filho.jpg" alt="" width="425" height="449" />Foto: Olegário A. Filho</h5>
<p style="text-align: justify;">Mas, se olharmos para o mundo atual, veremos que o espaço está permitindo cada vez mais que produções comecem fora do mundo do capital, se destaquem e ganhem espaço. Mas as regras ainda são as mesmas. Ou tem grana ou tá fora.</p>
<p style="text-align: justify;">É o caso do <strong>Cine Belas Artes</strong>, aqui em São Paulo. Quando o capital se apresentou mais forte em outro lugar, o dono do estabelecimento roeu a corda, e o cinema e seus amantes que se f*.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, como cultura não é exatamente mercadoria, é também identidade coletiva, como explicamos acima, os amantes do cinema fizeram e estão fazendo a sua parte na luta social pela definição da ocupação legítima do imóvel da rua Consolação. E estão ganhando, pelo visto. Para o dono do local, uma dor de cabeça inesperada, para os amantes da cultura, um fôlego esperançoso.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas se há algo a aprender nas relações sociais contemporâneas é que o capital triunfa sempre, portanto, há de se esperar novos ataques, de outras redes de lojas, ao local querido por tantos. A solução? Seguir na luta&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Aliás</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quem são os homens por trás da cortina? Afinal, <strong>quem ataca o Cine Belas Artes</strong>? Quem pressiona o proprietário? Estou certo de que a estratégia mais eficiente seria descobrir esta valiosa informação, guardada a chave de ouro, evidentemente&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Clóvis de Barros Filho</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2011/01/26/culturas/' addthis:title='Culturas '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"tw:via="vereda_estreita"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded>
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		<title>Um suspiro aliviado</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Jan 2011 05:08:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colunista</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por hora, parece que [nós, cinéfilos] podemos respirar aliviados! O Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) votou hoje pela abertura do processo de tombamento do Cine Belas Artes! Depois de meses de preocupação, e da tristeza causada pela reportagem da Folha que anunciava o fim [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2011/01/19/um-suspiro-aliviado/' addthis:title='Um suspiro aliviado '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"tw:via="vereda_estreita"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify">Por hora, parece que [nós, cinéfilos] podemos respirar aliviados!</p>
<p style="text-align: justify">O <a title="Conpresp" href="http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/conpresp/" target="_blank">Conpresp</a> (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) votou hoje pela abertura do processo de tombamento do Cine Belas Artes!</p>
<p style="text-align: justify">Depois de meses de <a title="Vereda Estreita: &quot;A força da grana que ergue e desrói coisas belas&quot;" href="http://veredaestreita.org/2011/01/08/a-forca-da-grana-que-ergue-e-destroi-coisas-belas/" target="_blank">preocupação</a>, e da tristeza causada pela <a title="Folha: &quot;Após 68 anos, Belas Artes vai fechar as portas em São Paulo&quot;" href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/855158-apos-68-anos-belas-artes-vai-fechar-as-portas-em-sao-paulo.shtml" target="_blank">reportagem da Folha</a> que anunciava o fim do cinema, fiquei muito aliviada ao ver o seguinte texto divulgado pela assessoria de imprensa do Belas Artes:</p>
<p style="text-align: justify"><em><span style="text-decoration: underline">&#8220;Conpresp abre processo de tombamento do Belas Artes.</span></em></p>
<p style="text-align: justify"><em>Em reunião ordinária realizada hoje, dia 18 de janeiro, o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) decidiu pela abertura do processo de tombamento do Cine Belas Artes. Estudos técnicos para decisão quanto ao tombamento definitivo serão realizados nos próximos três meses.</em></p>
<p style="text-align: justify"><em>“Estou muito feliz com a decisão do Conpresp hoje. A mobilização espontânea da sociedade foi incrível e inédita. Não lembro de mobilização por tema relacionado à cultura antes na cidade com tal dimensão. E a resposta da prefeitura foi imediata tomando a única decisão que daria tempo de manter a esperança do Belas Artes continuar existindo: a abertura do estudo de tombamento. Agradeço o apoio de todos e estamos otimistas que todo esse esforço será bem sucedido. O Belas Artes é um patrimônio cultural e afetivo da cidade e de seus moradores”, afirma André Sturm, proprietário do Belas Artes.&#8221;</em></p>
<p style="text-align: justify">Concordo com tudo o que diz a nota acima &#8211; por isso a transcrevo para vocês. Agora é torcer para que o tombamento realmente saia do papel &#8211; ou que, com isso, o dono do espaço físico ao menos desista de desalojar o cinema e, assim, este espaço tão querido aos cinéfilos paulistanos continue aberto!</p>
<p style="text-align: justify">Na linha do <a title="Vereda Estreita: &quot;O jogo de damas da cidade&quot;" href="http://veredaestreita.org/2011/01/18/o-jogo-de-damas-da-cidade/" target="_blank">post anterior</a>, atitudes como esta deixam uma esperança no ar – porque, no fundo, tudo o que queremos é acreditar que a arte pode ser possível, mesmo em <a title="&quot;Caetano Veloso - Sampa &quot;" href="http://www.youtube.com/watch?v=i0KRUGGajto" target="_self">uma cidade cinza</a> como São Paulo.</p>
<p style="text-align: justify">Bruna Buzzo</p>
<p style="text-align: justify">OBS.: Em tempo: A direção do Belas Artes anunciou que o cinema deve ficar aberto, pelo menos, até o final de fevereiro, enquanto eles trabalham para permanecer no imóvel. André Sturm, dono do cinema, disse que quer &#8220;ter tempo de negociar com o proprietário a renovação do contrato de locação&#8221;. [Bruna, 21/01]</p>
<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2011/01/19/um-suspiro-aliviado/' addthis:title='Um suspiro aliviado '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"tw:via="vereda_estreita"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded>
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		<title>O jogo de damas da cidade</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Jan 2011 06:26:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Olé</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A repercussão sobre o possível despejo do Cine Belas Artes de seu atual prédio mobilizou muitas pessoas. Um outro evento também atraiu gente: o aumento na tarifa de ônibus para R$3,00 (incluindo integrantes do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Estado de São Paulo). O que os dois tem em comum? No mínimo, o [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2011/01/18/o-jogo-de-damas-da-cidade/' addthis:title='O jogo de damas da cidade '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"tw:via="vereda_estreita"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A repercussão sobre <a title="Folha.com: &quot;Após 68 anos, Belas Artes vai fechar as portas em São Paulo&quot;" href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/855158-apos-68-anos-belas-artes-vai-fechar-as-portas-em-sao-paulo.shtml" target="_blank">o possível despejo do <strong>Cine Belas Artes</strong> de seu atual prédio</a> mobilizou muitas pessoas. Um outro evento também atraiu gente: o <strong>aumento na tarifa de ônibus</strong> para R$3,00 (<a title="Vírgula: &quot;Estudantes reclamam do preço de ônibus e apanham em SP&quot;" href="http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/inacreditavel/2011/01/13/267121-estudantes-reclamam-do-preco-de-onibus-e-apanham-em-sp" target="_blank">incluindo integrantes do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Estado de São Paulo</a>). O que os dois tem em comum? No mínimo, o mesmo jogo político.</p>
<p style="text-align: justify;">O Cine Belas Artes é praticamente um cinema da resistência. Não só por sua programação diferenciada, mas por ser um cinema de rua. Isso por si só já é resistir contra o efeito “embabacador” da vida privada ideal: sair aos fins de semana de seu lindo lar (localizado em um condomínio fechado; seja prédio ou casa), portando o seu lindo automóvel (transporte privado), para ir passear no lindo shopping (espaço privado voltado somente ao comércio), e ficar rodando horas a contemplar lindas vitrines e assistir lindos filmes (<a title="Wikipédia: &quot;Blockbuster&quot;" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Blockbuster" target="_blank"><em>blockbusters</em> </a>americanos), comer no lindo <em>fast-food</em> e na mais linda segurança retornar pra sua casa linda. Aí, o próximo passo seria viver em uma bolha.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele é um dos últimos bons remanescentes de uma vida na rua. Rua aquela onde você pode encontrar de tudo, não só produtos. Pessoas. Vira-latas. Mijo. Assaltantes. Grafites. Realidade. Idéias.</p>
<p style="text-align: justify;">E é nessa mesma rua que muitos saíram pra contar (ou expor) suas idéias: seja contra o fechamento do Cinema (que incomoda pouco às estruturas porque, por sorte, elas não conseguem enxergar seu potencial!), ou seja pelo reajuste da tarifa do ônibus (que incomoda muito!).</p>
<p style="text-align: justify;">Quando incomoda muito, pau neles!</p>
<h5 style="text-align: justify;"><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="580" height="326" src="http://www.youtube.com/embed/dDOm6g2V3ds" frameborder="0" allowFullScreen="true"> </iframe> Vídeo:  <a title="Youtube Latuff" href="http://www.youtube.com/user/Latuff" target="_blank">Carlos Latuff</a></h5>
<p style="text-align: justify;">Não é qualquer “pau”. É uma estrutura muito bem montada pra reprimir. Estrutura que tem conhecimento de muitos e muitos anos de contenção popular. Pergunta para aqueles que assistiram atentamente ao vídeo acima: será que as filosofias corporativas mudaram desde a Ditadura? Será que os guardas são treinados para a <span style="text-decoration: underline;">Democracia</span> ou para a &#8220;<span style="text-decoration: underline;">Ordem e o Progresso</span>&#8220;?</p>
<p style="text-align: justify;">O Brasil é livre talvez até só o segundo parágrafo. Difícil se expressar assim onde artistas-de-rua não podem exercer sua arte. Seja em <a title="Bola &amp; Arte: &quot;Essa é a Gestao Kassab: músicos proibidos de tocar na Av. Paulista&quot;" href="http://bolaearte.wordpress.com/2010/11/20/essa-e-a-gestao-kassab-musicos-proibidos-de-tocar-na-av-paulista/" target="_blank">em São Paulo</a>, seja <a title="Efeito Colateral: &quot;A coisa mais feia da FLIP: repressão&quot;" href="http://efeito-colateral.blogspot.com/2009/07/coisa-mais-feia-da-flip-repressao.html" target="_blank">em Paraty</a>. Sempre é necessário consultar o “dono-da-rua” pra saber se ele está de acordo, se consente.</p>
<p style="text-align: justify;">E assim são criados e estabelecidos os dogmas: só podemos ouvir música que toca nas rádios. Filmes só os americanos. Nosso tempo livre semanal deve ser gasto dentro de um ônibus, como sardinhas. Passear só nos shoppings. Ficção que não cause problemas (leia-se novelas). &#8220;Vida de gado&#8221;. O negócio é a bolha e o Grande Irmão.</p>
<p style="text-align: justify;">Como os atuais &#8220;donos-da-rua” de São Paulo precisam melhorar um pouco suas imagens depois de uma repercussão negativa, dificilmente o Cinema não será <a title="Migalhas: &quot;Prestes a fechar, icônico Cinema Belas Artes pode ser tombado&quot;" href="http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI124634,11049-Prestes+a+fechar++iconico+cinema+paulistano+pode+ser+tombado" target="_blank">tombado</a>. É politicamente fácil apoiar a causa. E outra: quem sabe assim mantém-se esses desordeiros dentro de algum lugar, né?!  Mesmo que seja tão perto da rua&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Bom nisso tudo é ver que a resistência existe! Aquela que coloca um filme em cartaz por três anos porque ele é uma grande obra de arte e faz refletir. Resistência que saí às ruas pra mostrar a sua insatisfação. Aquela que mesmo contra a lógica do Capital, diz que o cinema deve permanecer simplesmente porque a cidade o enxerga como sendo seu (mais do que do Flávio Maluf, atual proprietário do imóvel).</p>
<p style="text-align: justify;">E tudo isso pode servir de exemplo. Pode mostrar aos passageiros que não estão renegados a viver muitas horas de suas vidas nos porões dos ônibus. Que podem resistir também; ter calor nas relações. Querer viver as ruas, que também são suas. Tudo em conjunção.</p>
<p style="text-align: justify;">Bom jogo!</p>
<p style="text-align: justify;">Olé</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Leia mais sobre:</strong><br />
- <a style="font-style: italic;" title="Carta Capital: &quot;Cinemas de rua e a desertificação do espaço público de São Paulo&quot;, por Nabil Bonduki" href="http://www.cartacapital.com.br/cultura/cinemas-de-rua-e-a-desertificacao-do-espaco-publico-de-sao-paulo" target="_blank">Cinemas de rua e a desertificação do espaço público de São Paulo</a>, por Nabil Bonduki. Carta Capital (13/01/11)<br />
- <a title="Carta Capital: &quot;Uma cidade aberta e segura&quot;, por Nabil Bonduki" href="http://www.cartacapital.com.br/sociedade/uma-cidade-aberta-e-segura" target="_blank"><em>Uma cidade aberta e segura</em></a>, por Nabil Bonduki. Carta Capital (18/08/10)<br />
- <a title="&quot;A relação da sala de cinema com o espaço urbano em São Paulo: do provinciano ao cosmopolitama&quot;, por Paula Freire Santoro." href="http://saopaulo.org.br/download/257.pdf" target="_blank"><em>A relação da sala de cinema com o espaço urbano em São Paulo: do provinciano ao cosmopolitama</em></a>, por Paula Freire Santoro. (2005)<br />
- <a title="&quot;A Geografia dos Cinemas no Lazer Paulistano Contemporâneo: Redes de cinemas multiplex e territorialidade de cinemas de arte&quot;, por Eduardo Baider Stefani. Tese de Mestrado. FFLCH-USP (São Paulo, 2009)" href="http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-04022010-151528/publico/EDUARDO_BAIDER_STEFANI.pdf" target="_blank">A Geografia dos Cinemas no Lazer Paulistano Contemporâneo: Redes de cinemas multiplex e territorialidade de cinemas de arte</a>, por Eduardo Baider Stefani. Tese de Mestrado. FFLCH-USP (São Paulo, 2009).</p>
<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2011/01/18/o-jogo-de-damas-da-cidade/' addthis:title='O jogo de damas da cidade '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"tw:via="vereda_estreita"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded>
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		<title>O Menininho da Ambrosia</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Aug 2010 01:49:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Olé</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Seu Obeny oferecendo degustação. Foto: Olegário A. Filho Minha amiga Vivi me dizia: “ahhhhh, a Ambrosia do menininho da Benedito!&#8221; Imaginava que era um molequinho que vendia o doce. Minha primeira surpresa: um senhor que carinhosamente chama todos de “menininho”. E facilmente pode justificar toda essa jovialidade quando perguntamos sua idade, respondendo: &#8220;Treze. Soma 7 [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2010/08/02/o-menininho-da-ambrosia/' addthis:title='O Menininho da Ambrosia '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"tw:via="vereda_estreita"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
<h5 class="mceTemp mceIEcenter">
<dl id="attachment_1983" class="wp-caption aligncenter" style="width: 435px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-1983" title="IMG_0057" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2010/08/IMG_0057.jpg" alt="" width="425" height="283" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Seu Obeny oferecendo degustação. Foto: Olegário A. Filho</dd>
</dl>
</h5>
<p style="text-align: justify;">Minha amiga Vivi me dizia: “ahhhhh, a Ambrosia do menininho da Benedito!&#8221; Imaginava que era um molequinho que vendia o doce. Minha primeira surpresa: um senhor que carinhosamente chama todos de “menininho”. E facilmente pode justificar toda essa jovialidade quando perguntamos sua idade, respondendo: &#8220;Treze. Soma 7 com 6 dá treze.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">E é fácil adotá-lo como aquele avô que mima você com docinhos, sugere combinações entre os sabores diferentes. Sempre com um sorriso muito cativante. E, claro, também veta outras invenções de seus netinhos: “a jaca não se dá com ninguém, menininho!”</p>
<p style="text-align: justify;">Ele nem sempre foi doceiro. Seu Obeny, “mistura de Onofre com Benedita!”, trabalhou durante 30 anos com produção de automóveis na fábrica da Mercedez Bens, em São Bernardo do Campo. Contrariando seu antigo patrão, foi para Praça Cornélia (rua Clélia) em 1978 e em 82 para a Benedito onde está até hoje, todos os sábados. A explicação para essa brusca mudança de profissão é um “estalinho”, uma vontade interna de vender doces brasileiros. Conhecimento que já residia em sua família, vindo de Santa Rita do Sapucaí, Sul de Minas Gerais, mais precisamente das tias de sua &#8220;querida&#8221;, que é quem prepara todas essas maravilhas, a senhora  Maria Emília Ciavaglia.</p>
<p style="text-align: justify;">
<h5 class="mceTemp mceIEcenter" style="text-align: justify;">
<dl id="attachment_1980" class="wp-caption aligncenter" style="width: 435px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-1980" title="IMG_0051" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2010/08/IMG_0051.jpg" alt="" width="425" height="638" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Seu Obeny. Foto: Olegário A. Filho</dd>
</dl>
</h5>
<p style="text-align: justify;">Impossível não passar por ali sem dar um “oi” para o menininho e saborear seus deliciosos doces caseiros. Além da famosa <strong>Ambrosia</strong>, que vai muito bem acompanhada pelo doce de <strong>Banana com Laranja</strong>, ainda tem: paçoca, abóbora em pedaços, jaca, doce de leite, batata roxa, jaca, laranjinha, papo-de-anjo, espera-marido, coco queimado, cocada&#8230; Ah, outro bom casamento é <strong>baba-de-moça</strong> com o <strong>brigadeiro</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Além do trato muito carinhoso na feitura usando ingredientes bem selecionados, com as receitas, que são nosso patrimônio imaterial, cada um tem poema próprio criado que fica exposto junto com sua compota.</p>
<p style="text-align: justify;">
<object width="425" height="342" id="player_311705" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" ><param value="true" name="allowfullscreen"/><param value="http://storage.mais.uol.com.br/embed.swf?mediaId=311705" name="movie"/><param value="always" name="allowscriptaccess"/><param value="window" name="wmode"/><embed id="player_311705" width="425" height="342" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" src="http://storage.mais.uol.com.br/embed.swf?mediaId=311705" wmode="window" /></embed><noscript><a href="http://mais.uol.com.br/view/311705">TV DA PRAÇA &#8211; DOCES CASEIROS</a></noscript></object></p>
<h5>&#8220;Doces Caseiros&#8221;<em>, <a title="Praça Benedito Calixto TV: Doces Caseiros" href="http://mais.uol.com.br/view/18124lpthjgv/tv-da-praca--doces-caseiros-04023560DC891366?types=A&amp;" target="_blank">Praça Benedito Calixto TV</a> &#8211; 27/08/2009.</em></h5>
<h5><em> </em></h5>
<p style="text-align: justify;">Seu Obeny, ou melhor, o &#8220;Menininho da Ambrosia&#8221;, com seus 76 anos por si só já é um patrimônio vivo da Feirinha da Benedito Calixto. Encanta até mesmo os <a title="Mari.Guedes: &quot;doces caseiros, São Paulo&quot;" href="http://arquivodamari.blogspot.com/2009/05/doce-caseiro-sao-paulo.html" target="_blank">olhares de outros lugares</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1986" title="IMG_4884" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2010/08/IMG_4884.jpg" alt="Compotas de doces. Foto: Olegário A. Filho" width="425" height="242" /></p>
<p style="text-align: justify;">Ah, e se não tiver vergonha, não esqueça de pedir um abraço!</p>
<p style="text-align: justify;">Olé</p>
<p style="text-align: justify;">PS: o telefone deles é (11) 3845-7073.</p>
<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2010/08/02/o-menininho-da-ambrosia/' addthis:title='O Menininho da Ambrosia '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"tw:via="vereda_estreita"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded>
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		<title>Uma Linguagem da Estrada</title>
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		<pubDate>Wed, 26 May 2010 00:11:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Olé</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os olhares mais atentos para as estradas já notaram que os caminhoneiros têm uma linguagem própria. Não há como não se impressionar com os sinais, pois eles são baseados na confiança, no &#8220;querer ajudar&#8221;, no corporativismo. Coisas estranhas para aqueles que dirigem dentro das grandes cidades. Generalizando, o trânsito das estradas é muito mais camarada [...]<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2010/05/25/uma-linguagem-da-estrada/' addthis:title='Uma Linguagem da Estrada '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"tw:via="vereda_estreita"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Os olhares mais atentos para as estradas já notaram que os caminhoneiros têm uma linguagem própria. Não há como não se impressionar com os sinais, pois eles são baseados na confiança, no &#8220;querer ajudar&#8221;, no corporativismo. Coisas estranhas para aqueles que dirigem dentro das grandes cidades. Generalizando, o trânsito das estradas é muito mais camarada que o das ruas. Talvez isso não seja tão claro porque, em feriados prolongados,  há um número muito grande de carros acostumados à cultura da disputa pelo espaço, da competição pelo tempo, do estresse da cidade nas rodovias rumo aos destinos turísticos. Mas quem é estradeiro sabe a importância dos sinais.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa linguagem, que é mais comum nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, surgiu de forma espontânea. Não é ensinada nas auto-escolas (até pode ser, mas dificilmente é cobrada em provas, exames etc). Por isso, é possível classificá-la como folclórica e patrimônio imaterial.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez a política de desenvolvimento acelerado de JK tenha incorporado de vez as montadoras de automóveis, o que praticamente definiria como sendo rodoviário o nosso principal sistema de transportes. Logo, muitas estradas de rodagem foram criadas, mas nem sempre houve manutenção e inovação. Tanto que muitas rodovias ainda hoje são de <a title="Wikipédia: &quot;Tipos de Rodovia&quot; in: Rodovias" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rodovia#Tipos_de_Rodovia" target="_blank">pista simples</a>, e nelas, quando há um erro ou problema, a probabilidade de colisão frontal é enorme. E sair vivo deste tipo de acidente é praticamente um milagre: a velocidade relativa entre os veículos é de aproximadamente 200 km/h e é pior ainda quando caminhões e ônibus estão no meio, afinal pesam algumas boas toneladas.</p>
<p style="text-align: justify;">Olhando com mais cuidado, são sinais simples e até mesmo intuitivos, já que tem por base o código de trânsito. Há duas possibilidades de comunicação: quando os veículos que se comunicam estão no mesmo sentido e quando estão no sentido contrário.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>a.    Mesmo sentido</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A comunicação precisa ser feita entre veículos que trafegam no mesmo sentido, pois a potência do motor, a carga transportada e o comprimento de cada carro é diferente, logo se faz muito necessário. Por isso, o caminhoneiro que vai à frente tem visão e sinaliza para o que está atrás, fazendo com que seja <strong>facilitada</strong> a ultrapassagem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pisca para a direita</strong><br />
Sinaliza que o caminho está livre e é um bom momento para a ultrapassagem. Deve-se ter atenção neste ponto, pois o erro do motorista que sinaliza significa morte para o de trás.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>P</strong><strong>isca para a esquerda</strong><br />
Quando é o <strong>veículo da frente</strong> que sinaliza, significa que o veiculo de trás não deve ultrapassar por algum motivo (sempre relacionado à segurança).</p>
<p style="text-align: justify;">E quando <strong>quem está atrás</strong> que dá este sinal, significa que o motorista deseja fazer a ultrapassagem. Dependendo do contexto da situação, pode significar um pedido de auxílio, para que o veículo da frente sinalize em que momento é melhor a ultrapassagem.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Duas buzinadas curtas</strong><br />
Significa um agradecimento ou um “boa viagem!”. Geralmente, é dado no momento no qual se cruza o veículo. E, na maioria das vezes, há retribuição.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pisca alerta ligado e desligado rapidamente</strong><br />
Pode significar o item anterior, que não talvez não tenha sido feito (ou às vezes para reforçar as duas buzinadas curtas). A retribuição do “obrigado” ou de “boa viagem” também pode ser dada através de duas piscadas com o farol alto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pisca alerta ligado</strong><br />
Significa algum perigo. É um pedido de atenção redobrada, pois pode ser que por algum motivo o carro da frente irá parar ou mesmo o fluxo todo irá parar.</p>
<p style="text-align: justify;">Também pode significar chamar a atenção do carro de trás para alguma coisa que esteja acontecendo no próprio veículo e o motorista ainda não se deu conta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Farol alto por um período médio</strong><br />
O veículo de trás chama a atenção do veículo da frente por algum motivo. A duração deste período funciona da mesma maneira que a intensidade da voz de uma pessoa quando se quer chamar a atenção (ex: falando, gritando, esperniando etc). Aqui também pode significar uma bronca por estar na faixa da esquerda quando poderia estar na da direita, pois ali é o local apropriado para ultrapassagens.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Apagar e acender as todas as luzes de uma vez</strong><br />
Significa que há fiscalização à frente. Não é muito recomendável, pois da mesma maneira que o carro de trás percebe, o policial à frente também perceberá e poderá “implicar” com o motorista da frente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>b.    Sentido oposto</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Esta é a comunicação espontânea mesmo. É a que chama muito a atenção, pois tem um curto período de tempo para acontecer e, por isso, depende sempre da atenção do outro motorista. Tudo não dura mais do que 3 segundos.</p>
<p style="text-align: justify;">Geralmente ela começa com o pisca para a esquerda, pois é como se um motorista estivesse dizendo ao que vai cruzar: “Pode vir tranqüilo que eu estou falando para quem está atrás de mim, não ultrapassar. Tenha uma boa viagem!”. Duas piscads no farol alto, evidenciam que o motorista dirá mais alguma coisa. E estes sinais são sempre gestuais:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A uma palma de mão esticada</strong><br />
Significa literalmente “boa viagem!”. É como se o motorista dissesse que não há problemas no caminho do outro. “Vai tranqüilo!”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Um braço movimentando como um pêndulo com a mão esticada</strong><br />
Barreira. Acidente. Carreta virada na pista. Desmoronamento. Há alguma coisa que está fechando a pista parcial ou totalmente. Dependendo da gravidade, os faróis de luz são dados muito mais vezes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quatro dedos virados para baixo</strong><br />
Animais na pista. Cuidado!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dois dedos virados para baixo</strong><br />
Pessoas na pista. Cuidado!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Movimento da mão fechando começando pelo dedo mindinho até o polegar. A mão deve estar de lado, com o polegar para baixo. (famoso sinal de roubo)</strong><br />
Ladrão. Há ladrões na região, o motorista deve tomar cuidado.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Duas mãos paralelas fazendo movimentos alternados verticais</strong><br />
Balança. Há fiscalização de peso à frente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fricção dos dedos polegar, indicador e médio (Sinal de dinheiro)</strong><br />
Há policiais. Cuidado. Isto pode representar que realmente há corrupção ou não.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Fazer sinal com a mão como se apontasse uma arma</strong><br />
Há radar móvel na pista. O sinal é desta maneira, pois a forma do radar é a de um secador de cabelo, ou de uma pistola. O fiscal (muitas vezes policial) segura e aponta para a pista para saber qual a velocidade do veículo que está passando naquele instante.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Segurar a gola como se arrumasse uma gravata</strong><br />
Blitz grande. A gravate significa que o chefe dos policiais está participando da ação, ou seja, a tolerância é muito baixa (pente-fino).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Todos os dedos juntos e o movimento quebrado do pulso no sentido vertical (“afogar o ganso”)</strong><br />
Significa que há prostitutas na área. Pode ser também que haja “caronistas”, mulheres que trocam favores sexuais por carona. E isso atualmente representa um grande risco de assaltos.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste cenário perigoso, no qual motoristas passam muitas horas por dia dirigindo, cruzando infinitas vezes com outros veículos, rodando mais de mil quilômetros por dia, a criação desta linguagem própria foi fundamental para a sobrevivência nessas rodovias que não permitem erros.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje em dia os rádios &#8220;TKS&#8221; são mais comuns e também ajudam bastante a vida na estrada, mas provavelmente não decretarão o fim da comunicação visual. O elemento credibilidade é muito baixo nestes aparelhos, pois não se sabe quem stá falando no rádio. E é praticamente nula a possibilidade de que um caminhoneiro passe uma informação errada de propósito ao cruzar com outro automóvel.  Por isso, é bem difícil ela morrer.</p>
<p style="text-align: justify;">Só mais um detalhe: por muito tempo, os sinais na Argentina eram diferentes. Existiu uma  campanha para unificá-los, mas não sei dizer se isso surtiu efeito.  Brincadeiras à parte,  é bom sempre duvidar de um veículo argentino em situações perigosas.</p>
<p style="text-align: justify;">Boas estradas!</p>
<p style="text-align: justify;">Olé</p>
<div class="addthis_toolbox addthis_default_style " addthis:url='http://veredaestreita.org/2010/05/25/uma-linguagem-da-estrada/' addthis:title='Uma Linguagem da Estrada '  ><a class="addthis_button_facebook_like" fb:like:layout="button_count"></a><a class="addthis_button_tweet"tw:via="vereda_estreita"></a><a class="addthis_button_google_plusone" g:plusone:size="medium"></a><a class="addthis_counter addthis_pill_style"></a></div>]]></content:encoded>
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