Pague 1, leve 2
Publicado em 9 de maio de 2008, às 19:57. | Deixe um comentário!
Artigo sobre Shows.
Depois de fechar o Aniversário de São Paulo 2008, Jorge Ben Jor encerrou também a Virada Cultural. E assim como esperado, colocou todo mundo pra dançar. Veja o anônimo no vídeo logo abaixo. Não pude deixar de registrar esta manifestação legítima de alegria e empolgação. Ele dançou como se ninguém estivesse o vendo. Isso sim é dançar! Prefiro mil vezes mostrar ele dançando, do que a mulher que rebolava no fundo do palco com o único objetivo de ser notada. Com ela não valia ter gasto uma linha sequer, mas com este ser dançante sim:
Espectador - Palco São João - Virada Cultural 2008
Também foi inevitável gravar a música “Emo”. Por um lado, foi bom colocar a discussão da emofobia em pauta, porém ela é tão ruim que não sei se isso acontecerá mesmo. Talvez pelo peso do nome Jorge Ben. Só.
Jorge Ben Jor cantando “Emo” - Palco São João - Virada Cultural 2008
Não pense que eu detestei o show. Gostei bastante. O Jorge tem algo que é raro entre artistas de grande público: adorar o palco. Foram duas horas de show! Valia bagunçar o palco, improvisar e até repetir música. O cara foi importantíssimo para a MPB e seu público continua querendo que ele não chegue no final.
Jorge Ben Jor cantando “Mas que nada” - Palco São João - Virada Cultural 2008
Curta outros vídeos que fizemos na Virada. Acesse nosso canal no Youtube.
Até mais!
Olé
A Virada de cada um
Publicado em 30 de abril de 2008, às 1:15. | 1 Comentário
Artigo sobre Literatura, Música, Shows.
A Vidada Cultural é um daqueles eventos em que a variedade de atrações impossibilita qualquer consenso quanto a um roteiro de coisas a se ver. Por isso mesmo cada qual que escreve aqui seguiu seu rumo e eu preferi seguir o meu próprio também.

Casa das Rosas - Av. Paulista, 37
Minha Virada Cultural começou com um recital de poesia na Casa das Rosas. Um clima mais intimista, cadeiras para se sentar e um silêncio profundo no casarão para ouvir os autores recitarem seus poemas do palco montado na sala. Passado um certo tempo a calma é repentinamente quebrada com os risos frente aos poemas eróticos de Xico Sá. Logo penso que seria ótimo poder viver aquele ambiente em outros tempos que não apenas na Virada. Para mim toda essa estrutura entre sábado e domingo serve exatamente para isso, fazer o paulistano conhecer melhor os atrativos de sua cidade e passar a freqüentar mais esses pontos de interesse. Saindo, recebi na porta a programação da casa para o próximo mês, muitos cursos interessantes com inscrições por R$ 10 e recitais que pretendo retornar para ver. Xico aproveitou a oportunidade ainda para mostrar um de seus último poemas (disponível em seu blog - O Carapuceiro) feito em homenagem ao Padre Adelir, mais conhecido como o Padre dos Balões.
Rondó do Padre Voador
de Xico Sá
“Ô vontade de fazer como o padre dos balões coloridos
E pelos ares dar um belo perdido
E cair vivo beeeeem distante
Como um Walt Whitman delirante
Mesmo que na ilha
não tenha sequer um radinho de pilha
O que vale é virar um Robinson Crusoé
…só pra ver qualé, mané!
Mesmo que lá não tenha futebol
E os deuses brinquem de chutar o sol
Mesmo que não tenha puteiro…
Me acabo na mão feito colher de pedreiro
Dou um belo balão no cartão visa
E vou viver de flozô e brisa
Recitando Vinícius e Bandeira
Para a minha mulher-bananeira
Ô vontade de fazer como o padre maluco
E cair direto na Aurora, Recife, Pernambuco
Porque mais vale um vigário voando
Do que dois ateus vagabundos
Mesmo que nos ares vire uma noviça
E dê até para o coroinha da missa
Ô vontade de ser o padre perdido
que deu um balão em Jesus Cristo
Quem me dera a coragem do vigário
E eu deixasse mesmo de ser otário.
Saísse de vez do plano terreno…
Pense!, imagine, meu caro John Lennon!”

Palco Santa Ifigênia
A calma do interior da Casa repentinamente foi quebrada pela multidão que se aglomerava no jardim esperando por Tom Zé. O show atrasou bastante e eu precisava seguir para a Av. São João para ver o Zé Ramalho. O Metrô aberto durante toda a noite ajudou bastante na locomoção. Chegando ao Centro começa a parte mais legal de toda Virada: poder andar por lá durante a noite sem muitos dos problemas habituais. A gente se acostuma com certas coisas e fica acomodado de não poder freqüentar certas regiões da cidade, o centro é bem mais bonito à noite. Se acendem as luzes dos postes de época e a iluminação dos monumentos dá aquele ar nostálgico que gostaríamos de ver todos os dias.

Show do Zé Ramalho - Palco da Av. São João
O Zé Ramalho entretanto foi muito conturbado. O Show começou pontualmente, mas precisei me espremer bastante a ponto de desistir da vista privilegiada na proximidade do palco para ir para um lugar mais calmo. De longe o som estava bem ruim e isso se seguiu durante o show dos Mutantes, acabei indo conferir as outras atrações.

Silent Disco no Mosteiro de São Bento
De longe o Silent Disco foi o que mais me chamou a atenção. De frente para o Mosteiro de São Bento centenas de pessoas dançavam loucamente no silêncio, a pista toda colorida contrastava com o cinza do Mosteiro e os fones de ouvido tocavam todos o mesmo som do DJ Holandês. A fila era grande mas valia a pena enfrentá-la por algum tempo naquela experiência excêntrica.

Lixo acumulado no Centro
Fiquei sabendo durante o evento que a quarta Virada Cultural é o terceiro evento mais importante do estado de São Paulo, perdendo apenas para o Grande Prêmio de Fórmula 1 e para a Parada Gay. Se movimenta a economia e o Centro ganha vida durante a Virada, seria ótimo se fosse assim sempre. O amanhecer entretanto revelou o verdadeiro saldo do evento, pilhas de lixo espalhadas pelo chão, pichações, postes e utensílios públicos depredados, um forte cheiro de urina e pessoas jogadas pelos cantos (e não eram os moradores de rua de sempre). É visível o interesse do público por eventos como esse, mas falta um pouco de planejamento e áreas próprias para shows em São Paulo. Shows de rua com milhões de pessoas são feitos para dar errado: se incomodam os moradores, se sujam as ruas em que se trabalha no próximo dia e se estraga o nosso já tão degradado Centro. A Virada vale 24h acordado pelas atrações, mas o saldo para a cidade continua sendo negativo.
Daniel Possa
p.s.: Confira mais fotos e vídeos da virada em nosso Flickr e YouTube, ou no Flickr da Virada Cultural 2008.
Pouca gente?
Publicado em 27 de abril de 2008, às 13:48. | 1 Comentário
Artigo sobre Reflexão, Shows.
Uma das grandes atrações de ontem na Virada Cultural era Zé Ramalho. Assim pensava muita gente. E muita, muita, muita gente resolveu assisti-lo. Porém, dezenas de corpos não ocupam o mesmo espaço. Estávamos muito longe do palco e mesmo assim, havia um fluxo constante de pessoas que impedia assistir ao show tranqüilamente. Tivemos que recuar. Após entrarmos em uma rua ao lado (a situação estava só um pouco melhor), o Zé cantou: Êêêê ôôô vida de gado! / Povo marcado / Povo feliz. Não havia melhor canção. Era literal!
Zé Ramalho cantando “Beira-mar” - Palco São João - Virada Cultural 2008
Claro que um evento desta magnitude tem problemas! Mas, ano passado, aconteceu a mesma coisa: as primeiras horas da Virada estavam com várias atrações superlotadas ou com intermináveis filas.
Concordo plenamente que a área do público do palco principal (Palco São João) foi ampliada. Agora, é evidente que o evento precisa de 3 palcos principais e com shows no mesmo instante.
Então, se você achava que tinha perdido o show, comemore!
A causa só pode ser sede. Não consigo ler de outra forma a quantidade de pessoas! Mesmo São Paulo sendo uma cidade extremamente cultural, com coisas boas para se fazer todos os dias, seria uma grande redundância da minha parte, mas: a população brasileira é carente de Cultura. E nem estou falando de qualidade!
O ideal é que os lugares fossem bastante agitados pela prefeitura (leia Governo) sempre, e não uma, duas, ou três vezes por ano. Precisamos viver cultura. Não só reproduzindo, criando também. Mais verbas destinadas para isso (e sem tirar de nenhuma biblioteca!). Investimentos nos artistas!
Bons sonhos!
Olé
Tá chegando a hora…
Publicado em 1 de abril de 2008, às 13:51. | 1 Comentário
Artigo sobre Cinema, Dança, Exposições, Música, Shows, Teatro.
Mais um ano se passa. Conto os dias desde o último evento: a Virada Cultural! “Das 18h do dia 26 às 18h do dia 27 de abril” teremos um dos eventos mais aguardados no campo cultural aqui na cidade de São Paulo.
Muitas pessoas relacionam a última edição apenas à grande confusão que aconteceu na Praça da Sé, às atrações superlotadas… e provavelmente hesitarão em ir. É importante que essas pessoas entendam que operar um evento desta magnitude é bastante complicado. Só espero que ninguém desista por causa dos problemas do ano passado.
A programação oficial ainda não saiu e o site oficial não está pronto. Mas o SESC já se adiantou e divulgou em seu site os eventos que acontecerão em suas unidades. Acesse por aqui.
Então, agora é hora de analisar esta parte da programação e começar a traçar um roteiro prévio.
Até mais!
Olé
O preço de um Show
Publicado em 1 de março de 2008, às 5:07. | 2 Comentários
Artigo sobre Música, Shows.

A grandeza de Bob Dylan é claramente incontestável. Suas músicas marcaram era e ficaram conhecidas até como marca de uma geração. O astro compareceu ao Brasil apenas 4 vezes, a primeira em 1990 e a última em 1998. Na próxima semana este virá novamente ao Brasil realizar shows no Rio e em São Paulo. O que chama a atenção desta vez no entanto não é a grandeza ou as composições do músico, mas o preço dos ingressos.
Enquanto este mesmo show custa na Argentina entre R$40 e R$200, alguma super inflação fez com que o preço brasileiro disparasse entre R$250 e R$900. Os organizadores alegam que o show é para um público limitado para dar um tom mais intimista, e que assim os custos de produção foram divididos. Incrivelmente 80% dos ingressos já foram vendidos e espera-se que esgotem até o momento do espetáculo.
Não é de se surpreender que pessoas paguem este preço para ver o show de um astro como Dylan. A questão que fica é se vale a pena gastar uma média de R$400 (o que representa um salário mínimo brasileiro) em um show de 120 minutos. Vale a pena conferir o show, mas vai pagar pra ver?
Daniel Possa




















