Gênio!

Publicado em 23 de abril de 2010, às 15:43. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Teatro.


Foto: Olegário A. Filho
Foto: Olegário A. Filho

Pense em um teatro que não tem cara teatro, mas de lar. O lugar é literalmente uma casa. Pequeno se comparado a teatros convencionais. Não tem como ficar longe dos artistas. Um local totalmente alternativo. Simples, intimista, quase particular. Esse é o “Teatro Lá em Casa”. É tão em casa que eles oferecem um suco ou um chocolate antes do espetáculo.

Foto: OLegário A. Filho
Foto: Olegário A. Filho

Tudo isso é fruto da filosofia do grupo de teatro que habita este espaço: Grupo de Teatro Meio. A idéia é trazer ao público peças de ótima qualidade de maneira que não fique distante do público. A tentativa de comunicar algo bom e que seja compreensível até para pessoas pouco (ou nada) acostumadas com teatro. E claro, sem mastigar demais o texto. É a busca pelo equilíbrio entre estas coisas. O meio!

Foto: Olegário A. Filho
Foto: Olegário A. Filho

Este fim de semana (sábado e domingo) é a última oportunidade para conferir a peça Gênio em Concurso, adaptação de  A Torre em Concurso de Joaquim Manoel de Macedo (sim, mesmo autor do livro A Moreninha).

Foto: Olegário A. Filho
Foto: Olegário A. Filho

O texto é atual. Trata de uma cidadezinha dominada por interesses mil. Demagogia, certa malandragem, corrupção. O que estamos acostumados a ver por aí.

E além de bem encenada, há vários momentos de muito colorido no palco. É gostoso ver!

Ah, por ela estar saindo de cartaz, é muito aconselhável que faça reserva.

Foto: Olegário A. Filho
Foto: Olegário A. Filho

Boa peça!

Olé

PS: Mais fotos!

Peça “O Gênio em Concurso”
Grupo de Teatro Meio
Teatro Lá em Casa@TeatroLaEmCasa
Rua Lopes de Oliveira, 635 – Metrô Marechal Deodoro (mapa)
São Paulo/SP
Sábado (24/04), às 21h
Domingo (25/04), às 19h
Telefone para reservas: (11) 7628-9995




“Abre a cortina do passado…”

Publicado em 21 de outubro de 2009, às 15:01. | 3 Comentários

Artigo sobre Cultura Popular/Folclore, Produção, Reflexão, Teatro.


Abrem-se as cortinas do mais novo teatro paulistano! Tudo cheira novo, tudo reflete moderno, todos olham admirados, há uma atmosfera de superioridade técnica e arquitetônica, e os presentes não conseguem evitar os comentários de surpresa ao adentrar no fresquíssimo “Teatro Bradesco”.

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Teatro Bradesco no Shopping Bourbon Pompéia, em São Paulo.

O Grand Openning acontece oficialmente apenas amanhã (22 de Outubro), mas o Teatro já teve suas primeiras apresentações. Tecnologias afiadas, espaço de sobra, inovações impensadas e comodidades mil, já o fazem ser considerado um dos mais modernos do país, e uma obra faraônica dentro do Shopping Bourbon Pompéia. Acompanhando a nova tendência da inserção de teatros em shopping centers – e, por que não dizer, colocando a mercadoria onde o consumidor está? – a casa abre as portas decepcionando. Claro, não há o que se dizer sobre a inegável qualidade física deste espaço. Seria um golpe nos milhões investidos, e um desrespeito às incontáveis salas mais simples da capital paulista.

O desapontamento vem de outra esfera. Contestando Confúcio, quando dizia que “A Cultura está acima da diferença social”, o primeiro show oficial que a casa sediará – dos argentinos do Café de los Maestros, incluindo o premiado Gustavo Santaolalla e a participação da deliciosa Marisa Monte – tem como seu valor mais baixo o preço do Balcão Nobre, custando R$200,00. Já o mais caro, os camarotes do “Andar Prime”, custam a bagatela de R$500,00.

Café de los Maestros.
Café de los Maestros.

Os artistas, que seguem protestando contra a pirataria, a despeito da falência das gravadoras que sabidamente chupavam feito sanguessugas os lucros da vendagem de CD’s e DVD’s, são coniventes com a fixação de preços despropositados em detrimento de lucros bombásticos, suscitando a elitização de seus trabalhos.

É inadmissível a cobrança de valores tão exorbitantes. É inaceitável que apresentações culturais sejam segregadoras ao ponto de tornarem-se inacessíveis. É chocante assistir à inauguração de um teatro que pretende pagar seus custos em tão pouco tempo. É lamentável imaginar que uma única apresentação de prováveis duas horas possa custar mais de um salário mínimo. É uma afronta que tenham coragem de sugerir estes valores.

É, mais uma vez, previsível que assim seja.

Victor Gouvêa




Semeando rios

Publicado em 11 de agosto de 2009, às 00:38. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Festivais, Literatura, Livros, Teatro.


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Um dos critérios para avaliar uma peça infantil é perceber o quanto as crianças avançam em direção ao palco no decorrer da apresentação. Manter a atenção dos pequenos é para poucos, mas a tarefa parecia muito simples para o grupo Coletivo Teatral Sala Preta, que apresentou a peça O Cascudo Douradinho em: Amiga Lata, Amigo Rio, ao final da Flipinha 2009 (programação infantil da FLIP).

coletivo_sala_preta_douradinho_flip2009_6458O texto surgiu do livro (quase homônimo) Amiga lata, Amigo Rio, de Thiago Cascabulho. Tanto em um como em outro (claro!), a estrutura que dá vida aos rios é bem mastigada para que o público entenda bem como poluímos tanto o meio. Uma das questões mais importantes apontadas é que enquanto somos pequenos, somos críticos e repudiamos esse modo, mas quando crescemos esquecemos a maneira como pensávamos. Reflexão importante também para quem é novo na categoria “adulto”, já que a “sustentabilidade” entrou em pauta há pouco tempo na sociedade, tema pouco comum no currículo escolar dos mais velhos (esse histórico parece ser melhor discutido no livro Educação Ambiental: princípios, história, formação de professores, de Fábio Cascino, 1999 e no capítulo 5 da tese de mestrado Pedra da Miraguaia: Tema gerador de atividades pedagógicas em Educação Ambiental de Ana Matilde da Silva, UNIVALI, 2006).

capa_amiga_lata_amigo_rio1Tudo isso já rendeu ações que saem do campo literal: o Projeto Douradinho, que além de levar a consciência ambiental com o trabalho da pedagoga Anésia Gilio, também estimula a leitura com a distribuição do  livro nas escolas.

Quem quiser conhecer o livro, o projeto e o grupo de teatro acesse as respectivas páginas abaixo:

Livro e projeto pedagógico: Projeto Douradinho.
Coletivo Teatral Sala Preta: salapreta.wordpress.com
Thiago Cascabulho (autor do lvro): blog

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Até mais!

Olé




Festa Particular

Publicado em 30 de junho de 2009, às 09:40. | 2 Comentários

Artigo sobre Colunistas, Festivais, Produção, Reflexão, Teatro.


Aconteceu em São Paulo, de 18 a 28 de junho, a “Festa do Teatro”, iniciativa do Grupo Parlapatões que visava distribuir ingressos de peças de teatro que estão em cartaz na capital. Com objetivos duvidosos, os organizadores contaram com o apoio da Prefeitura de São Paulo, do Metrô, do SESC-SP, Ministério da Cultura e patrocínio exclusivo do Grupo CCR, administradora de concessionárias rodoviárias, distribuindo um total de 30 mil ingressos para filas intermináveis que se formaram nos postos de entrega.

2009_festa_teatro_sp

O evento teve algumas falhas bastante evidentes, como a distribuição de ingressos em dias úteis, a falta de controle nas filas, e assim por diante. Contudo, estes problemas logísticos devem ser facilmente corrigidos nas próximas edições, que decerto acontecerão. Mas, em minha opinião, esta “Festa do Teatro” teve um problema gravíssimo, que acaba sendo o cerne da questão da democratização da cultura, inclusão cultural, e todas estas temáticas insolúveis.

Quando surge uma proposta deste tipo, fico com um pé atrás. Não é novidade pra ninguém que distribuir ingressos gratuitamente não vai fazer com que as pessoas de baixo poder aquisitivo e baixo embasamento educacional retirem seus ingressos e participem de apresentações culturais. O buraco é muito mais embaixo! Estas pessoas não freqüentam estes lugares porque não pertencem a eles, e não sentem o mínimo vínculo com esta realidade. Um belo exemplo desta verdade crua pode ser visto no genial “Entre os muros da escola”, de Laurent Cantet. No filme, torna-se evidente que não existem demagogias capazes de minimizar a sensação de não-pertencimento, e principalmente o enorme abismo entre as classes desfavorecidas e a apreciação cultural.

Era nítido nas filas que as pessoas que estavam lá eram as mesmas que se interessam por cultura, arte, discussões rançosas e aparências alternativas, da qual a maioria de nós faz parte despreocupadamente. Apesar de ter sido patrocinado por uma empresa privada, acredito que os organizadores acabaram pensando mais em causa própria – com a garantia das casas lotadas por três finais de semana – do que na real democratização cultural, e viraram as costas para o gritante fato de que o acesso à cultura é de natureza excludente, se alicerçado nas mesmas estruturas. Com esta verba, acredito que seria possível a construção de propostas que efetivamente ligassem uma parte à outra, como a criação de grupos de teatro com atores de baixa renda, tendo-os como parte ativa do processo, a exemplo do grupo fluminense Nós do Morro, que faz um belíssimo trabalho na Favela do Vidigal desde 1986.

A concepção da democratização da cultura deve, antes de qualquer coisa, suprimir os interesses individuais em detrimento de um bem maior, para que, desta forma, não volte a ser apenas mais uma discussão em rodas intelectualóides.

Victor Gouvêa




Oficina da Resistência

Publicado em 15 de maio de 2009, às 12:02. | 2 Comentários

Artigo sobre Colunistas, Patrimônio, Teatro.


Teatro Oficina, por Luís Ushirobira
Teatro Oficina (Foto: Luís Ushirobira)

A primeira experiência foi muito intensa. Fui assistir “Homem I”, segunda parte da epopéia do Sertão que o Teatro Oficina se propôs a construir. O grupo Uzyna Uzona apresentava – com incontáveis influências diversas – em 6 horas de textos em prosa, uma parte da obra de Euclides da Cunha. Não é fácil de digerir. A energia que rege o Oficina é muito forte, Dionisíaca. Mas era impossível não assistir a tudo que aquela reunião de pessoas fazia, por ser obviamente cercado de muita paixão, profissionalismo e libertinagem psicológica. Tudo isto sob a batuta experiente do profeta José Celso Martinez Corrêa, nome facilmente lembrado como um dos maiores teatrólogos que o Brasil já teve.

É Teatro de Resistência. Resistem, há 50 anos completados em 2008, a todas as intempéries que o alternativo sofre. Atualmente resistem “à força da grana que ergue e destrói coisas belas”, na sua forma mais real. Silvio Santos quer destruir o Teatro Oficina. O empresário almeja construir um Shopping Center na área que é tombada pelo Condephaat. Zé e o grupo resistem, mais uma vez, sugerindo outro aproveitamento para a área: O Anhangabaú da Feliz Cidade. A proposta inclui a Universidade Antropófaga – com claras referências a Oswald de Andrade -,  uma área verde, uma Ágora e um Teatro de Estádio, com capacidade para 5 mil pessoas.

Sua sede não poderia ser mais significativa. Estão no coração da capital paulista, em uma edificação assinada por Lina Bo Bardi, arquiteta modernista, autora, entre outras obras, do MASP e do SESC Pompéia. É impressionante como aquelas pessoas comunicam com o espaço em que estão inseridas. Atores sobem e descem rapidamente escadas improvisadas que conduzem ao céu. Tornam-se anjos, também, por dar oportunidade de contato com a cultura para crianças carentes, através do Movimento Bixigão. Aliás, um dos méritos do Teatro Oficina é a popularização da cultura. Tentam de diversas formas levar para o grande público seu trabalho, seja pelos preços populares das bilheterias, ou mesmo apresentações gratuitas que realizam fora de sua sede.

Muitas vezes se faz necessário um maior embasamento para compreender todas as entrelinhas com as quais se comunicam. Recomendo fortemente que comprem os livretos confeccionados para clarear algumas referências que se utilizam. É difícil explicar a intensidade do trabalho que estas pessoas fazem apenas com palavras. Deve ser degustado sem moderação nenhuma de forma pessoal e intransferível. Proporcionaram conhecer mais. Fizeram que eu lesse novamente Euclides. Apresentaram o Teatro Nô. Resgataram meu interesse por Oswald de Andrade. O Teatro Oficina é mais do que se propõe: É necessário.

Victor Gouvea




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