Muito mais do que intérprete
Publicado em 11 de abril de 2009, às 03:52. | 4 Comentários
Artigo sobre Cinema, Cultura Popular/Folclore, Música, Reflexão, Televisão.
Hoje, dia 11/04, às 21h40, irá ao ar, pela TV Cultura, um documentário obrigatório para todos os amantes da Cultura Popular: Inezita Barroso – a Voz e a Viola. Se você não conhece esse nome, ou conhece pouco, é uma ótima oportunidade para atualizar suas referências sobre um dos maiores ícones defensores da nossa rica cultura popular.
Dona de uma voz única, musicista, atriz, professora, apresentadora, defensora ferrenha da Cultura Caipira, também fez muitas pesquisas folclóricas pelo país (aliás, a TV Cultura detém parte disso em seu acervo, o que daria um ótimo trabalho, quem sabe se disponibilizado através da Cultura Marcas ou do Selo SESC SP). Seu amigo, Arley Pereira chamava-a de “Mário de Andrade de saias”. Essa talvez tenha sido uma de suas maiores contribuições: garimpar nossos tesouros, divulgá-los e protegê-los.
Mais do que registrar na tela sua penosa história, este documentário é uma grande reflexão sobre qual rumo devemos dar para as criações e criadores dessas inúmeras veredas estreitas que não têm, nem ao menos, o respeito de muitos brasileiros. Tanto artista perdido por ai… Valor só para o que cai nas graças dos grandes veículos de comunicação. Artista só existe porque existe público. Então, como gostar de algo que não existe?

- Guilherme Alpendre e as Irmãs Galvão

Recomendo também estes vídeos abaixo, que eu gravei na primeira exibição pública, na ECA, dia 26/03. Neles, Inezita complementa sua argumentação sobre vários assuntos tratados no filme, como educação, folclore, valorização da cultura e cultura de massa .
Inezita Barroso após a exibição do documentário (Parte 1)
Inezita Barroso após a exibição do documentário (Parte 2)
Inezita Barroso após a exibição do documentário (Parte 3)
Mesmo que estas discussões acabem sendo deixadas de lado (o comum), fico muito feliz por saber que as futuras gerações poderão conhecer um pouco da luta de Inezita e, quem sabe, consigamos mais adeptos para proteger nossos patrimônios imateriais que estão em extinção.
Parabéns ao diretor, Guilherme Alpendre, e à equipe por eternizarem e trazerem à tona Inezita Barroso. Eles são a prova de que vale a pena utilizar energia, tempo e dinheiro para realizar coisas que nem todo mundo dá o devido valor, porém são imensamente importantes. Talvez não haja aplicação prática e mercadológica, mas, se as bases de nossa sociedade forem ditas apenas pelo mercado, podemos jogar todas as nossas bibliotecas de arte, de sociologia, de antropologia… no lixo. Reinaldo Azevedo nunca entenderia que:
“O caipira de fato, nunca compõe para ser gravado. Ele cria por absoluta necessidade de homenagear um santo, de contar um acontecimento da vida dele, de narrar acontecimentos na vida local, de falar de seus sentimentos ou ainda dos mistérios da vida. É complexo.” (Inezita Barroso, trecho retirado de seu site)
A nossa sorte é que estes aqui entenderam:

- Inezita Barroso e a equipe do documentário

Boa sessão!
Olé
Morreram de overdose
Publicado em 10 de julho de 2008, às 21:49. | 1 Comentário
Artigo sobre Reflexão, Televisão, Turismo.
É provável que você já tenha visto estes comerciais encomendados pelo TSE. Acho-os muito bonitos. Um belo texto, em duas versões: uma narrada por uma criança e outra narrada pelo Abujamra. Difícil não admirar.
Versão narrada pela criança
Versão narrada por Antônio Abujamra
Um amigo meu me disse recentemente que “publicidade é diferente de arte”. Sabe-se que as artes são, desde tempos remotos, usadas como divulgadoras de idéias, com todos os seus apelos argumentativos. Não quero discutir aqui se publicidade é arte (muito menos definir uma das duas!). Só mostrar que as coisas não podem estar tão distantes assim. Se não puder dizer que ela é arte (ou artística), pelo menos que me deixem dizer que está a beira dela. Não dá pra negar que nestes segundos nos transportam para aquele passado recente, combativo, com causa clara. Os ícones, o texto, a narração… transmitem a idéia de que tudo aquilo não foi só sonho e nem à toa.
Só não podemos nos esquecer de algumas coisas: da impunidade da ditadura; de que se fizermos esse balanço, praticamente as vidas das pessoas que lutaram, de nada valeram; de que são poucos os políticos sérios por aqui; de que falta informação (conhecimento) para grande parte da população; de que ainda vivemos uma ditadura velada…
Ao mesmo tempo, podemos interpretar esses comerciais da maneira que o TSE deseja: transformar o caráter obrigatório em um direito (sem contar a intenção dos jovens tirarem o título de eleitor o mais rápido possível). Ou ir além, discutindo, cobrando, nos tornando realmente mais ativos politicamente.
O único limite que existe (por mais tênue que seja) entre a esperança e o pessimismo é o que faremos depois das urnas. É… quem sabe daqui a algumas décadas as coisas melhorem, não?
Olé
A Máquina Universal
Publicado em 18 de junho de 2008, às 03:11. | 4 Comentários
Artigo sobre Cinema, Reflexão, Televisão.
Existia um conceito antigamente de que se deveria criar uma espécie de máquina que fosse capaz de fazer qualquer atividade. Como uma “Pedra Filosofal“ dos inventores, muitos tentaram criar automóveis que voassem, juntando carro com avião, mas todo avião é um péssimo carro e vice e versa. Entretanto o tempo passa e essa máquina surge, criando uma nova Revolução Industrial. Os computadores vieram e tomaram grande parte de nossas vidas. Você mesmo está sentado em frente a um deles agora, lendo um artigo de uma forma que não seria possível sem ele. O conceito que torna o computador tão universal é o fato de ele ser utilizado para as mais diversas atividades, desde estudo e trabalho até entretenimento.
Navegando pela internet encontrei o documentário “The Machine That Changed the World” – A Máquina que Mudou o Mundo. Este documentário foi produzido pela WGBH Boston e pela BBC de Londres em 1991. Entretanto desde seu lançamento está praticamente extinto, sendo possível ver o filme apenas em algumas poucas bibliotecas universitárias pelo mundo. Graças novamente a essa incrível máquina que é o computador, aliada a uma poderosa rede de internet e uma alma bondosa que digitalizou o filme, podemos ver o documentário na íntegra.
Este filme é considerado o melhor documentário já produzido sobre a história da computação. Algumas partes impressionam bastante, como imaginar que antes da computação os cálculos eram feitos à mão. Um matemático do Século 19 passou 28 anos da sua vida calculando o número Pi até sua 707ª casa decimal, um computador faria isso em menos de sete segundos. Sem contar que este matemático cometeu um erro quando estava na 528ª casa decimal, acabando por disperdiçar seus últimos anos de vida em cálculos errados.
Vou ficar devendo mesmo uma cópia em português, o filme é muito raro e por enquanto não existem legendas. Mas se você sabe um pouco de inglês o filme é fácil de entender. Estão aí a baixo as cinco partes, cada uma com uma hora de duração. Clicando na legenda em cima de cada parte coloquei o link para uma sinopse e informações especiais. Bom proveito!
Parte 1: Great Brains
Parte 2: Inventing the Future
Parte 3: The Paperback Computer
Parte 4: The Thinking Machine
Parte 5: The World at Your Fingertips
Daniel Possa
Post relâmpago: “O Fingidor”
Publicado em 18 de maio de 2008, às 21:50. | 3 Comentários
Artigo sobre Teatro, Televisão.
Não terei tempo hábil para fazer um post à altura desta peça. Hoje, às 23 horas, na TV Cultura, programa Direções, será apresentada uma peça de Samir Yazbek sobre Fernando Pessoa, que rendeu-lhe o Prêmio Shell de dramaturgia de melhor autor em 99.
Como sabemos, existiram muitos heterônimos criados pelo poeta português. Os três mais estudados no ensino médio são: Álvaro de Campos, Ricardo Reis e o mestre Alberto Caeiro. Eles, assim como Pessoa, são retratados na peça, mas Samir inventou outro: Jorge Madeira.
Um crítico que adorava Fernando Pessoa, mas não o conhecia pessoalmente, precisa de um datilógrafo. Por sorte, ou não, ele conhece Jorge Madeira e toda a trama se dará a partir disso.
A busca por si mesmo, o encontro com outros Eus, a perda da identidade… Para quem não conhece Pessoa, é uma ótima iniciação. Para os que o amam, um prato cheio.
E viva a TV Cultura!
Olé
E o operário a suar!
Publicado em 12 de maio de 2008, às 07:31. | 1 Comentário
Artigo sobre Reflexão, Televisão.
O pessoal do Massaroca (que também é da Massa Real Filmes) faz há algum tempo para o programa Metrópolis da TV Cultura vídeos que são exibidos quinzenalmente com muita reflexão e humor. Trago aqui o episódio 19 que foi feito em comemoração ao Dia Mundial do Trabalho. Humor e inteligência em um belo vídeo:
É… os que ganham querem ganhar tudo e quem não ganha nada está louco para ganhar também. O negócio mesmo é seguir os ensinamentos de um dos mais importantes filósofos que este e o outro mundo já tiveram: ” – Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.”
Olé


