Seu Obeny oferecendo degustação. Foto: Olegário A. Filho

Minha amiga Vivi me dizia: “ahhhhh, a Ambrosia do menininho da Benedito!” Imaginava que era um molequinho que vendia o doce. Minha primeira surpresa: um senhor que carinhosamente chama todos de “menininho”. E facilmente pode justificar toda essa jovialidade quando perguntamos sua idade, respondendo: “Treze. Soma 7 com 6 dá treze.”

E é fácil adotá-lo como aquele avô que mima você com docinhos, sugere combinações entre os sabores diferentes. Sempre com um sorriso muito cativante. E, claro, também veta outras invenções de seus netinhos: “a jaca não se dá com ninguém, menininho!”

Ele nem sempre foi doceiro. Seu Obeny, “mistura de Onofre com Benedita!”, trabalhou durante 30 anos com produção de automóveis na fábrica da Mercedez Bens, em São Bernardo do Campo. Contrariando seu antigo patrão, foi para Praça Cornélia (rua Clélia) em 1978 e em 82 para a Benedito onde está até hoje, todos os sábados. A explicação para essa brusca mudança de profissão é um “estalinho”, uma vontade interna de vender doces brasileiros. Conhecimento que já residia em sua família, vindo de Santa Rita do Sapucaí, Sul de Minas Gerais, mais precisamente das tias de sua “querida”, que é quem prepara todas essas maravilhas, a senhora Maria Emília Ciavaglia.

Seu Obeny. Foto: Olegário A. Filho

Impossível não passar por ali sem dar um “oi” para o menininho e saborear seus deliciosos doces caseiros. Além da famosa Ambrosia, que vai muito bem acompanhada pelo doce de Banana com Laranja, ainda tem: paçoca, abóbora em pedaços, jaca, doce de leite, batata roxa, jaca, laranjinha, papo-de-anjo, espera-marido, coco queimado, cocada… Ah, outro bom casamento é baba-de-moça com o brigadeiro.

Além do trato muito carinhoso na feitura usando ingredientes bem selecionados, com as receitas, que são nosso patrimônio imaterial, cada um tem poema próprio criado que fica exposto junto com sua compota.

“Doces Caseiros”, Praça Benedito Calixto TV – 27/08/2009.

Seu Obeny, ou melhor, o “Menininho da Ambrosia”, com seus 76 anos por si só já é um patrimônio vivo da Feirinha da Benedito Calixto. Encanta até mesmo os olhares de outros lugares.

Compotas de doces. Foto: Olegário A. Filho

Ah, e se não tiver vergonha, não esqueça de pedir um abraço!

Olé

PS: o telefone deles é (11) 3845-7073.




Nesta quarta-feira (16/06), o Professor Mário Jorge Pires defende sua tese de Livre-Docência que trata sobre a gestão de cidades históricas e museu brasileiros.

Em sua pesquisa, foram visitadas por volta de 60 cidades históricas brasileiras (das 93 planejadas). Em algumas, muito chá de cadeira e porta na cara. Mas pode fazer um diagnóstico da situação atual dos patrimônios e exibirá um dos possíveis modelos que este tipo de gestão permite.

Professor (com P maiúsculo) deu em seus “29 anos de ECA e 34 de USP” grandes contribuições à pesquisa na área do Turismo Cultural. Também é o representante do curso de Turismo no Conselho Municipal de Turismo de São Paulo e tem bons livros publicados: Raízes do Turismo no Brasil, Lazer e Turismo Cultural, e Sobrados e Barões da Velha São Paulo.

A defesa começará às 10h.

Até mais!

Olé

Defesa da Livre-Docência sobre gestão de patrimônios culturais
Data:
16/06/2010
Hora:
10 horas
Local:
Escola de Comunicações e Artes da USP
Av. Professor Lúcio Martins Rodrigues, 443 – Prédio Central (mapa)
Mais informações pelo telefone: (11) 3091-4122




Uma Linguagem da Estrada

Publicado em 25 de maio de 2010, às 21:11. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Cultura Popular/Folclore, Patrimônio, Turismo.


Os olhares mais atentos para as estradas já notaram que os caminhoneiros têm uma linguagem própria. Não há como não se impressionar com os sinais, pois eles são baseados na confiança, no “querer ajudar”, no corporativismo. Coisas estranhas para aqueles que dirigem dentro das grandes cidades. Generalizando, o trânsito das estradas é muito mais camarada que o das ruas. Talvez isso não seja tão claro porque, em feriados prolongados,  há um número muito grande de carros acostumados à cultura da disputa pelo espaço, da competição pelo tempo, do estresse da cidade nas rodovias rumo aos destinos turísticos. Mas quem é estradeiro sabe a importância dos sinais.

Essa linguagem, que é mais comum nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, surgiu de forma espontânea. Não é ensinada nas auto-escolas (até pode ser, mas dificilmente é cobrada em provas, exames etc). Por isso, é possível classificá-la como folclórica e patrimônio imaterial.

Talvez a política de desenvolvimento acelerado de JK tenha incorporado de vez as montadoras de automóveis, o que praticamente definiria como sendo rodoviário o nosso principal sistema de transportes. Logo, muitas estradas de rodagem foram criadas, mas nem sempre houve manutenção e inovação. Tanto que muitas rodovias ainda hoje são de pista simples, e nelas, quando há um erro ou problema, a probabilidade de colisão frontal é enorme. E sair vivo deste tipo de acidente é praticamente um milagre: a velocidade relativa entre os veículos é de aproximadamente 200 km/h e é pior ainda quando caminhões e ônibus estão no meio, afinal pesam algumas boas toneladas.

Olhando com mais cuidado, são sinais simples e até mesmo intuitivos, já que tem por base o código de trânsito. Há duas possibilidades de comunicação: quando os veículos que se comunicam estão no mesmo sentido e quando estão no sentido contrário.

a.    Mesmo sentido

A comunicação precisa ser feita entre veículos que trafegam no mesmo sentido, pois a potência do motor, a carga transportada e o comprimento de cada carro é diferente, logo se faz muito necessário. Por isso, o caminhoneiro que vai à frente tem visão e sinaliza para o que está atrás, fazendo com que seja facilitada a ultrapassagem.

Pisca para a direita
Sinaliza que o caminho está livre e é um bom momento para a ultrapassagem. Deve-se ter atenção neste ponto, pois o erro do motorista que sinaliza significa morte para o de trás.

Pisca para a esquerda
Quando é o veículo da frente que sinaliza, significa que o veiculo de trás não deve ultrapassar por algum motivo (sempre relacionado à segurança).

E quando quem está atrás que dá este sinal, significa que o motorista deseja fazer a ultrapassagem. Dependendo do contexto da situação, pode significar um pedido de auxílio, para que o veículo da frente sinalize em que momento é melhor a ultrapassagem.

Duas buzinadas curtas
Significa um agradecimento ou um “boa viagem!”. Geralmente, é dado no momento no qual se cruza o veículo. E, na maioria das vezes, há retribuição.

Pisca alerta ligado e desligado rapidamente
Pode significar o item anterior, que não talvez não tenha sido feito (ou às vezes para reforçar as duas buzinadas curtas). A retribuição do “obrigado” ou de “boa viagem” também pode ser dada através de duas piscadas com o farol alto.

Pisca alerta ligado
Significa algum perigo. É um pedido de atenção redobrada, pois pode ser que por algum motivo o carro da frente irá parar ou mesmo o fluxo todo irá parar.

Também pode significar chamar a atenção do carro de trás para alguma coisa que esteja acontecendo no próprio veículo e o motorista ainda não se deu conta.

Farol alto por um período médio
O veículo de trás chama a atenção do veículo da frente por algum motivo. A duração deste período funciona da mesma maneira que a intensidade da voz de uma pessoa quando se quer chamar a atenção (ex: falando, gritando, esperniando etc). Aqui também pode significar uma bronca por estar na faixa da esquerda quando poderia estar na da direita, pois ali é o local apropriado para ultrapassagens.

Apagar e acender as todas as luzes de uma vez
Significa que há fiscalização à frente. Não é muito recomendável, pois da mesma maneira que o carro de trás percebe, o policial à frente também perceberá e poderá “implicar” com o motorista da frente.

b.    Sentido oposto

Esta é a comunicação espontânea mesmo. É a que chama muito a atenção, pois tem um curto período de tempo para acontecer e, por isso, depende sempre da atenção do outro motorista. Tudo não dura mais do que 3 segundos.

Geralmente ela começa com o pisca para a esquerda, pois é como se um motorista estivesse dizendo ao que vai cruzar: “Pode vir tranqüilo que eu estou falando para quem está atrás de mim, não ultrapassar. Tenha uma boa viagem!”. Duas piscads no farol alto, evidenciam que o motorista dirá mais alguma coisa. E estes sinais são sempre gestuais:

A uma palma de mão esticada
Significa literalmente “boa viagem!”. É como se o motorista dissesse que não há problemas no caminho do outro. “Vai tranqüilo!”.

Um braço movimentando como um pêndulo com a mão esticada
Barreira. Acidente. Carreta virada na pista. Desmoronamento. Há alguma coisa que está fechando a pista parcial ou totalmente. Dependendo da gravidade, os faróis de luz são dados muito mais vezes.

Quatro dedos virados para baixo
Animais na pista. Cuidado!

Dois dedos virados para baixo
Pessoas na pista. Cuidado!

Movimento da mão fechando começando pelo dedo mindinho até o polegar. A mão deve estar de lado, com o polegar para baixo. (famoso sinal de roubo)
Ladrão. Há ladrões na região, o motorista deve tomar cuidado.

Duas mãos paralelas fazendo movimentos alternados verticais
Balança. Há fiscalização de peso à frente.

Fricção dos dedos polegar, indicador e médio (Sinal de dinheiro)
Há policiais. Cuidado. Isto pode representar que realmente há corrupção ou não.

Fazer sinal com a mão como se apontasse uma arma
Há radar móvel na pista. O sinal é desta maneira, pois a forma do radar é a de um secador de cabelo, ou de uma pistola. O fiscal (muitas vezes policial) segura e aponta para a pista para saber qual a velocidade do veículo que está passando naquele instante.

Segurar a gola como se arrumasse uma gravata
Blitz grande. A gravate significa que o chefe dos policiais está participando da ação, ou seja, a tolerância é muito baixa (pente-fino).

Todos os dedos juntos e o movimento quebrado do pulso no sentido vertical (“afogar o ganso”)
Significa que há prostitutas na área. Pode ser também que haja “caronistas”, mulheres que trocam favores sexuais por carona. E isso atualmente representa um grande risco de assaltos.

Neste cenário perigoso, no qual motoristas passam muitas horas por dia dirigindo, cruzando infinitas vezes com outros veículos, rodando mais de mil quilômetros por dia, a criação desta linguagem própria foi fundamental para a sobrevivência nessas rodovias que não permitem erros.

Hoje em dia os rádios “TKS” são mais comuns e também ajudam bastante a vida na estrada, mas provavelmente não decretarão o fim da comunicação visual. O elemento credibilidade é muito baixo nestes aparelhos, pois não se sabe quem stá falando no rádio. E é praticamente nula a possibilidade de que um caminhoneiro passe uma informação errada de propósito ao cruzar com outro automóvel.  Por isso, é bem difícil ela morrer.

Só mais um detalhe: por muito tempo, os sinais na Argentina eram diferentes. Existiu uma campanha para unificá-los, mas não sei dizer se isso surtiu efeito. Brincadeiras à parte,  é bom sempre duvidar de um veículo argentino em situações perigosas.

Boas estradas!

Olé




Manual para virar melhor

Publicado em 12 de maio de 2010, às 16:01. | 3 Comentários

Artigo sobre Festivais, Turismo.


A Virada Cultural 2010 está diferente. São evidentes as mudanças estruturais na programação, na extensão física que está ocupando, nos tipos de apresentações e na multiplicidade artística. Fato inegável. Ouvi de várias pessoas que gostariam de serem repartidas nos dias 15 e 16 de maio para poder aproveitar tudo o que está sendo ofertado nesta edição memorável do consolidado evento que sacode a cidade de São Paulo há 6 anos.

Causa até aquele incômodo gostoso de ter que decidir entre atrações incríveis que se sobrepõem em cantos diferentes e, muitas vezes, distantes. Para tanto, fizemos algumas sugestões, abaixo, de como aproveitar sua Virada. Claro, são apenas sugestões que passam pelas preferências individuais. Mas não deixam de ser boas sugestões.

Uma delas, por exemplo, é que não se fixe em apresentações que exijam qualidade acústica, como na Estação da Luz, onde acontecerão as Orquestras (vale para o Piano na Praça, que terá Joana Boechat, uma expoente mineira nesta arte). Para quem gosta de apreciar música nas suas mais tênues nuances, é irritante ser submetido ao excesso de barulho e a acústica inadequada para assistir às atrações. Mas estes chatos vão ter a oportunidade de assistir apresentações – provavelmente concorridas – dentro do Mosteiro de São Bento. Tive, contudo, ótimas experiências na Virada com palcos de Dança – que este ano também será na Luz, e conta até com grupos internacionais – apesar da quantidade excessiva de pessoas, que sempre dificulta um pouco neste evento.

Cada palco oferece pelo menos uma atração imperdível, dependendo da preferência musical de cada um. Recomendo fortemente que todos os aspirantes a virar a noite fujam de programações distantes (nos SESC’s e CEU’s, por exemplo), que, para mim, são para as pessoas que querem participar de alguma forma do evento, mas não vão acompanhar o pique de quem vai curtir as 24 horas (ainda que haja tentações grandes, como a Orquestra Imperial no SESC Pompéia).

Desta vez há uma inédita segmentação de público: Os nerd’s terão seu espaço pela primeira vez! A Praça Roosevelt será a Meca dos aficionados por RPG, Star Wars, animes e outros. E, aproveitando esta separação de tribos, bizarrices também contarão com um espaço próprio na Galeria Prestes Maia. Para que gosta – ou tem estômago – suspensões corporais e tatoos serão acompanhadas de muita música eletrônica. Os chamados “bregas” (há quem os chame de injustiçados da MPB) terão seu palco novamente, que ano passado foi um sucesso entre tias velhas e estereótipos de peito peludo e correntes douradas. Há ainda, pela primeira vez, o palco dos reggaeiros, que conta com novos e velhos representantes do ritmo jamaicano.

Imperdíveis mesmo são as apresentações únicas que acontecerão, e a Virada está cheia delas. Começando por Barbarito Torres, integrante do Buena Vista Social Club e dono de uma energia musical singular e contagiante. Outra pérola é o Seu Nelson Sargento, reconhecido sambista mangueirense, do alto de seus 85 anos bem vividos na malandragem dos morros cariocas, sobe ao palco da Praça da República às 21 horas para apresentar alguns clássicos do ritmo. Vale sempre passar pelo Parque da Luz, pela noite, para conferir as estonteantes intervenções artísticas lá sediadas. No palco dos bregas, pode-se esperar muita criatividade na apresentação de André Abujamra relendo em forma de rock as canções de Nelson Gonçalves.

Outra apresentação que deve ser, no mínimo, curiosa, é o tributo que o Velhas Virgens fará a Adoniran Barbosa. Não há como esquecer, claro, a OBMJ (Orquestra Brasileira de Música Jamaicana), ou a apresentação do extraordinário Grupo Sambô, que faz a mistura deliciosa de samba com rock, ou rock com samba, mesmo não sendo de samba-rock. Aos foliões desiludidos por São Pedro, as marchinhas de São Luís do Paraitinga estarão lá no Largo da Misericórdia para animar naquela hora de sono.

Enfim, a dica é esta: fuja de apresentações que possam exigir qualidade e público menor para a apreciação, e tente aproveitar ao máximo o que está ao alcance dos seus pés. Não se esqueça de se deixar surpreender por alguma atração que vai começar em um palco qualquer enquanto espera o próximo show, e boa Virada!

Victor Gouvêa




O Escondidinho de Ubatuba

Publicado em 10 de maio de 2010, às 22:27. | 2 Comentários

Artigo sobre Gastronomia, Restaurantes e Bares, Turismo.


img_9599Tudo aconteceu no mesmo dia. Lendo um guia de viagens sobre a Itália, descobri o Slow Food (mais aqui ou aqui). Este movimento vai ao encontro de culturas onde o sabor alimentar é fundamental, onde comer é praticamente um ritual, como na cultura italiana. E obviamente, surgiu contra a filosofia do Fast Food, do McDonald´s, do drive-thru, do pouco conforto, da massificação alimentar…

Já perto da hora do almoço, estava passando por uma rua e vi escrito em uma pequena lousa “Slow Food”. Apesar de o lugar ter vários restaurantes, não tinha visto outro letreiro sobre. Era uma entrada da largura de uma garagem, com acesso lateral à casa. Até o corredor interno, ninguém. Alguns belos quadros na parede. E lá no fundo, mesas e algumas pessoas.

Era como se tivéssemos entrado pelos fundos. Passando pelas mesas, era possível chegar ao calçadão da praia do Lázaro. Boa vista. E este restaurante pequeno, bem ambientado e muito estiloso não poderia ter outro nome que não fosse Escondidinho. Perguntamos algumas coisinhas básicas e saímos rápido porque estávamos só de passagem e a vontade era de sentar e passar várias horas ali.

Por ser meu aniversário, estar em ótima companhia, precisava de um lugar à altura (leia isto como especial, e não como caro). Acabamos voltando para o jantar. A única coisa que talvez fizesse mudar os planos seria a vontade de comer um prato da região, o famoso Azul-Marinho. Mas o Escondidinho tinha um peixe bastante honesto, então ficou irresistível.

Poucas pessoas, pouca luz e boa música na vitrola eram os aperitivos que faltavam. E o que pensar quando o chef pediu para o garçom perguntar se poderia temperar o peixe com salsinha? O prato estava sendo feito pra gente mesmo! Sensação de comer na casa de um velho conhecido, de alguém da família mesmo.

O Chef chama-se Dario Chiaverini. Durante muito tempo lecionou fotografia na FAAP e trabalhou com design visual. Nos últimos anos, tinha um restaurante em Embu das Artes, mas a violência o levou para Ubatuba, onde está desde janeiro deste ano.

Então, quando passar pela cidade, o esquema é o Escondidinho. E depois, comer um docinho no Tachão de Ubatuba, que é especializado em doces caseiros e fica ali do lado (só não demore muito no restaurante porque o Tachão fecha cedo).

É isso!

E viva o Slow Food!

Olé

Restaurante Escondidinho
Rua 9 de Julho, 296 (mapa)
Praia do Lázaro – Ubatuba – SP




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