A gente somos inútil

Publicado em 4 de agosto de 2008, às 3:08. | 2 Comentários

Artigo sobre Reflexão, Turismo.


Não vou fazer cerimônias. Quando você pensar em ir a Ouro Preto, saindo de São Paulo, não viaje com a empresa de ônibus ÚTIL. Vale mais a pena ir para Belo Horizonte e lá pegar outro ônibus para Ouro Preto. Ah, vou mais longe: nunca compre uma passagem da empresa ÚTIL! Não viaje com eles nem de graça!

Confesso ter parcela de culpa também, afinal, cheguei atrasado para a partida, marcada para as 19h45. Ainda tentei alcançar o ônibus com um taxi, mas não teve jeito. De volta à rodoviária, mais precisamente ao guichê da empresa, tentei conversar sobre a situação (a passagem custa quase R$ 100,00!) mas foram irredutíveis! Queriam ficar a todo custo com o meu dinheiro e de mais duas pessoas (Lucas e Aninha). Os funcionários desta empresa não são treinados para resolver problemas, e sim para serem máquinas caça-níqueis. A Útil faturou (significado popular) trezentos reais! Parabéns!

Qualquer livro que se propõe a introduzir o Turismo diz que poltronas vazias durante uma viagem (assim como quartos não-ocupados, por exemplo) têm validade. Funciona da mesma maneira que alimentos perecíveis, se não forem vendidos dentro de um certo prazo, eles estragam. Não há como vender uma passagem de uma viagem que já aconteceu; locar um quarto para o final de semana passado… O tempo é fator vital para a atividade. Vendendo ou não vendendo, quem trabalha com turismo continua tendo custos (fixos e variáveis).

Por outro lado, a taxa de ocupação (ocupação real divido pela possibilidade total de ocupação) não é tão próxima dos 100%, salve algumas exceções. Então, é sabido que nem todas os lugares serão vendidos, logo, é muito provável que poltronas viajassem vazias. Aqui eu faço a pergunta: por que não colocar os CLIENTES, que por ventura perderam aquele ônibus, no próximo vago?

Outra possibilidade era devolver uma parcela da passagem. Assim como até os hotéis mais fuleiros fazem, exige-se uma parcela da estada para garantir a reserva e caso o cliente não possa ir, esta parcela fica para o hotel. Justo. Aqueles custos citados acima entram nesta parcela e a empresa não sofre com isso.

Nem um, nem outro. Preferiam deixar as poltronas do próximo horário vazias a nos levar. Não tínhamos nenhuma importância pra eles. Era como se fossemos carga. Me senti um pacote largado em um terminal de cargas. Sensação horrível.

Nossas alternativas eram: voltar para casa (e perder também a passagem de volta já comprada) ou fazer a rota SP – BH - Ouro Preto.

Às 21h45 partíamos para a capital mineira em um ônibus leito da Cometa e que parava no máximo duas vezes durante a viagem. Vale dizer que os funcionários desta empresa nos disseram que, se o problema fosse com eles, nossa passagem seria transferida para o próximo horário (caso houvesse poltrona disponível) sem nenhum problema! Aqui também cabe dizer que fomos muito bem acolhidos e que a viagem foi muito boa.

Exatamente às seis da manhã, desembarcamos na rodoviária de BH. Como foram 80 reais nesta última passagem, Lucas e eu pensamos em pedir carona até Ouro Preto. Aninha comprou o trajeto final (R$ 20,00). Nós dois a deixamos na rodoviária e seguimos em direção à saída da cidade, “onde passavam os caminhões”.

Depois de milhares de recusas, xingamentos, cuspidas (que passaram bem perto!), muitos quilômetros rodados a pé, risco de atropelamento em uma ponte altíssima sem acostamento em que os caminhoneiros desviavam dos infinitos buracos, resolvemos abortar a missão pegando um dos vários ônibus da Pássaro Verde que passavam por ali com destino a OP. Afinal, além de tudo, não poderíamos perder a visita técnica com o professor Mário Jorge.

Quando encontramos o restante do pessoal, descobrimos que a Aninha chegou com apenas uma hora e meia de diferença. Quem saiu no horário com a Ùtil parou em diversas cidades (demorou muito) e o ônibus não era confortável como o nosso.

Por nossa passagem de volta já estar comprada, não tivemos escolha: tinha que ser com a famigerada empresa. Para resumir: o motorista que nos levaria estava atrasado e um outro ficou enrolando, dando voltas, estacionou na rua… tudo para esperar o cara chegar! Como, além disso, o ônibus para em diversas cidades, o motorista quis tirar seu atraso enfiando o pé no acelerador. Não deu tempo decente para a parada e falou mal de um passageiro para nós (outros passageiros)! O rapaz não podia atrasar dois minutos, mas ele podia chegar atrasado! Sem contar que não havia água lacrada; o funcionário que abre o bagageiro demorou 10 minutos para chegar na plataforma de desembarque…

Você pode pensar que isso tudo foi muito pontual, mas nem todos da minha sala voltaram no mesmo horário e também tiveram problemas.

Por tudo isso, aconselho quem precisar utilizar os serviços da União Transporte Interestadual de Luxo S/A, por ironia mais conhecida por ÚTIL, que a evite a todo custo para ter uma viagem sem amadorismos.

Boas viagens!

Olé




Morreram de overdose

Publicado em 10 de julho de 2008, às 21:49. | 1 Comentário

Artigo sobre Reflexão, Televisão, Turismo.


É provável que você já tenha visto estes comerciais encomendados pelo TSE. Acho-os muito bonitos. Um belo texto, em duas versões: uma narrada por uma criança e outra narrada pelo Abujamra. Difícil não admirar.

Versão narrada pela criança
Versão narrada por Antônio Abujamra

Um amigo meu me disse recentemente que “publicidade é diferente de arte”. Sabe-se que as artes são, desde tempos remotos, usadas como divulgadoras de idéias, com todos os seus apelos argumentativos. Não quero discutir aqui se publicidade é arte (muito menos definir uma das duas!). Só mostrar que as coisas não podem estar tão distantes assim. Se não puder dizer que ela é arte (ou artística), pelo menos que me deixem dizer que está a beira dela. Não dá pra negar que nestes segundos nos transportam para aquele passado recente, combativo, com causa clara. Os ícones, o texto, a narração… transmitem a idéia de que tudo aquilo não foi só sonho e nem à toa.

Só não podemos nos esquecer de algumas coisas: da impunidade da ditadura; de que se fizermos esse balanço, praticamente as vidas das pessoas que lutaram, de nada valeram; de que são poucos os políticos sérios por aqui; de que falta informação (conhecimento) para grande parte da população; de que ainda vivemos uma ditadura velada…

Ao mesmo tempo, podemos interpretar esses comerciais da maneira que o TSE deseja: transformar o caráter obrigatório em um direito (sem contar a intenção dos jovens tirarem o título de eleitor o mais rápido possível). Ou ir além, discutindo, cobrando, nos tornando realmente mais ativos politicamente.

O único limite que existe (por mais tênue que seja) entre a esperança e o pessimismo é o que faremos depois das urnas. É… quem sabe daqui a algumas décadas as coisas melhorem, não?

Olé




Pra não dizer que não falei da FLIP

Publicado em 10 de julho de 2008, às 2:33. | 1 Comentário

Artigo sobre Literatura, Turismo.


Paraty - RJ
Baía de Paratí - estado do Rio de Janeiro

A FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty - chegou agora em 2008 a sua 6ª edição. Da primeira edição até este ano o evento cresceu bastante, tanto que o Ministério do Turismo elegeu a cidade como referência em turismo cultural dentro do Plano Aquarela. Este planejamento define as bases para divulgação do Brasil no exterior. O objetivo de colocar Paraty (RJ) como destino internacional tem funcionado principalmente durante o evento, prova disto é que uma cama de albergue chega a custar R$ 350 por dia nesta época do ano.

Talvez esse preço um tanto limitante e o fato de a festa ocorrer fora de feriado, em dias úteis, deixe aquele clima mais refinado na cidade. Só aparecem aqueles que estão realmente ligados de alguma forma à cultura literária. Pude comparecer a uma edição passada e desta vez acompanhei o evento por relatos de blogueiros. O Blog do Tas entrevistou Liz Calder, a fundadora do evento literário. Uma das perguntas foi exatamente sobre o crescimento do evento nos últimos anos e o futuro da festa, ela respondeu: “Pois é, o mundo inteiro só pensa nisso: é uma espécie de fome para ficar cada vez maior. De ficar grande, gordo. É uma epidemia. Uma obsessão de crescer a qualquer custo sem se importar com o rumo das coisas. Eu não, penso que a sabedoria é saber a hora de parar de crescer”.

Bom lembrar ainda q o “F” do nome não é de feira, é de festa, uma Festa da Literatura. É neste clima que o evento se consagrou. Este ano comemora-se ainda o centenário de morte de Machado de Assis como tema central. Não sei que felicidade pode haver na morte de Machado de Assis, mas o importante é que o crítico Roberto Schwarz, que é grande especialista na obra machadiana, iniciou o evento com uma palestra sobre o tema. Ao final este dia se completou com o show de Luíz Melodia.

Roberto Schwarz na FLIP 2008
Roberto Schwarz na abertura da FLIP 2008 

Depois desta abertura em grande estilo a festa se divide em várias mesas de discussão reunindo grandes nomes da literatura. Desde brasileiros como Xico Sá (já citado aqui no Vereda antes) e Humberto Werneck, até grandes estrangeiros como Neil Gaiman e Sir Tom Stoppard. Deixo a baixo o vídeo de um fragmento da mesa entre Stoppard e Luís Fernando Veríssimo, um grande momento.

Luís Fernando Veríssimo pergunta a Tom Stoppard

Ao caminhar da festa o clima de Paraty vai sendo completado por sessões de cinema, atividades ao ar livre, oficinas, shows e performances. Se você, assim como eu, quer saber um pouco mais do que perdeu e já começar a se preparar para o ano que vem, dê uma passada pelo Blog Recortes da FLIP 2008 e pelos posts sobre o evento no Blog do Tas, que cobriu o evento este ano. Para saber notícias do evento do próximo ano entre no site oficial da FLIP, mas acho que ainda vai demorar um pouquinho.

Daniel Possa




Cidade do Esplendor

Publicado em 5 de julho de 2008, às 1:36. | 1 Comentário

Artigo sobre Cinema, Turismo.


Depois de 24 horas sem internet em São Paulo pude finalmente conferir meus e-mails. Já que o momento não anda muito bom pra falar desta cidade deixo como post do dia um vídeo sobre o Rio de Janeiro.

Este filme “City of Splendour” de 1936 foi realizado por James Fitzpatrick na série Traveltalks. Mostra como era o Rio da época em uma visão romântica, lembrando mais uma cidade de veraneio do que a metrópole que conhecemos hoje.

Daniel Possa




Mudanças de Estado

Publicado em 1 de julho de 2008, às 23:56. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Colunistas, Plásticas, Turismo.


Mudanças de Estado - RSMachado

Rafael Machado




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