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	<description>Cultura</description>
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		<title>A Miragem Cultural</title>
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		<pubDate>Sat, 05 May 2012 02:38:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Olé</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sobre como o paulistano não conhece o significado de espaço público.
Leia também:<ol>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2011/04/27/virada-cultural-2011/' rel='bookmark' title='O que a Virada Cultural não aprendeu em 6 anos'>O que a Virada Cultural não aprendeu em 6 anos</a></li>
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<li><a href='http://veredaestreita.org/2009/05/05/virada-cultural-2009-aos-trancos-e-barrancos/' rel='bookmark' title='Virada Cultural 2009 aos trancos e barrancos'>Virada Cultural 2009 aos trancos e barrancos</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/05/praca_cinquetenario_israel_sp.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3935" title="praca_cinquetenario_israel_sp" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/05/praca_cinquetenario_israel_sp.jpg" alt="" width="580" height="360" /></a>Praça Cinquentenário de Israel, cidade de São Paulo. Foto: Olegário A. Filho</h5>
<p>Antigamente eu até estava no coro: “a <a title="Wikipédia: &quot;Virada Cultural&quot;" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Virada_Cultural" target="_blank">Virada Cultural</a> é sensacional!”. Claro, se você ofertar a um faminto um bom prato-feito ele achará muito legal também! O paulistano é faminto sim: faminto por espaços públicos.</p>
<p>Para entender isso, vamos brincar com estereótipos.</p>
<p><span id="more-3931"></span></p>
<p>Os cariocas sempre zombam: “A praia do paulista (sic) é o shopping”. Analisando isso com mais atenção, vemos que a frase, aos olhos paulistanos, remeteria somente ao sentido geográfico da coisa: a cidade de São Paulo atualmente não tem praias. E que essa brincadeira ficaria no âmbito das opções de lazer, do tempo livre.</p>
<p>Mas o paulistano não veria isso de uma forma tão ruim, afinal se considera o trabalhador por excelência. Sua vida está mais para o trabalho do que para o tempo livre. Morador da cidade que não dorme (de tanto trabalhar). Logo, pode sem problemas construir um local para seu lazer: o shopping.</p>
<p>Estereótipos à parte, o que o paulistano não enxerga nessa piada é o uso do espaço público. A praia é um espaço público. Qualquer pessoa pode ir à praia e se divertir. Ou apenas sentar na areia. Dormir ali. Mergulhar, nadar no mar. Praticar esporte com pessoas de qualquer proveniência social, geográfica. Pode ficar horas jogando conversa fora.</p>
<p>O shopping não. É privado. Altamente vigiado. Tem horário de funcionamento. Será que qualquer pessoa pode entrar em um shopping? Uma pessoa em situação de rua não aparenta ter o perfil das pessoas que o dono do shopping gostaria em seu interior. Sua segurança privada permite a entrada destas pessoas? Quem vai ao shopping deve estar ali para comprar, para deixar dinheiro. As estratégias destes locais são baseadas nessas premissas: desde a circulação das pessoas por escadas rolantes dispostas para que a maioria dos cantos (onde também há lojas) sejam acessíveis naturalmente; até o ápice, a praça de alimentação onde se pode sentar para bater um papo com seus amigos e ser levado a comer alguma coisa, já que as lojas de comidas estão em todas as direções, com seus apelos visuais e olfativos. E assim como em um fast-food, as cadeiras e mesas não são projetadas para que as pessoas fiquem por horas a fio ali. É como se dissessem: “coma e vá circular pelo resto do shopping”.</p>
<p>E quais espaços públicos (que sejam convidativos) São Paulo dispõe? Poucos. Até mesmo a Rua Augusta. Ao mesmo tempo em que é um ponto de resistência aos shoppings, cada vez mais opera dentro desta lógica: lojas e circulação.</p>
<p>Quantas praças abertas, sem <a title="Facebook: Foto de Daniel Jacobino" href="http://www.facebook.com/photo.php?fbid=3873783481239&amp;set=a.1425862764751.2059867.1178239061&amp;type=1&amp;theater" target="_blank">grades e cadeados</a> existem? Espaços públicos que você possa ir para conversar com os amigos. Sentar e ficar por horas ali.</p>
<p>Também não dá pra ignorar a guerra velada que acontece no Brasil. O que faz a disputa pelo espaço público ser bastante complexa. Qualquer grande cidade brasileira onde as desigualdades sociais são absurdas passam pelo mesmo processo. Os mais abonados (que dispõem das forças policiais ou tentativa estatal de monopólio da violência) guerreiam contra os que estão fora do sistema capital legal. E estes últimos, por sua vez, também têm suas armas e métodos cruéis.</p>
<p>Outra coisa importante pontuar é que a cidade do Rio de Janeiro está longe de ser um ideário utópico do espaço público. Vide uma política pública que só pelo nome já é assustadora: “<a title="Wikipédia: &quot;choque de ordem&quot;" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Choque_de_Ordem#Opera.C3.A7.C3.A3o_choque_de_ordem" target="_blank">choque de ordem</a>” (arrancaria belos sorrisos de <a title="Wikipédia: Benito Mussolini" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mussolini" target="_blank">Mussolini</a> e <a title="Wikipédia: Adolf Hitler" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hitler" target="_blank">Hitler</a>). Mas ainda assim consegue estar anos-luz à frente de São Paulo na questão.</p>
<p>E dentro de todo esse contexto, fica claro como simbolicamente São Paulo é uma cidade de passagem. Há mais de cem anos vem sendo construída assim. Os espaços públicos cada vez mais funcionam apenas como passagens, corredores, vias expressas. Onde você não pode parar e ficar. Se um guarda não vier te tirar dali, a massa te carrega (assim como nos trens e metrôs da cidade).</p>
<p>É até engraçado, mas o espaço público mais importante simbolicamente para o paulistano é uma avenida: a Av. Paulista. Lugar de passagem. Milhares de pessoas estão passando por ali neste instante. Quantos bancos (de sentar) e praças abertas existem na Av. Paulista?</p>
<p>E a Virada Cultural aparece como se a cidade dissesse: “você, morador da metrópole, poderá curtir apenas essas pouco mais de 24 horas de programação cultural. Mas fique atento, elas serão ininterruptas. O que não é problema pra você, afinal a cidade não pára, a cidade não dorme. Depois, só ano que vem”.</p>
<p>Novamente, o evento será das 18 horas de sábado, até as 18 horas de domingo. Mas sem abusar! Use com muita parcimônia! Se não, é capaz de acontecer a mesma coisa <a title="Vereda Estreita: &quot;Como acabar com uma festa: bombas no Bixiga&quot;" href="http://veredaestreita.org/2012/02/28/como-acabar-com-uma-festa-bombas-no-bixiga/" target="_blank">que aconteceu aos foliões do Bixiga, no carnaval deste ano</a>.</p>
<p>Pra quem não tem praia, a <a title="Sítio oficial da Virada Cultural" href="http://viradacultural.org" target="_blank">Virada Cultural</a> é realmente a última bolacha (ou biscoito!) do pacote.</p>
<p>Olé</p>
<p>Leia também:</p><ol>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2011/04/27/virada-cultural-2011/' rel='bookmark' title='O que a Virada Cultural não aprendeu em 6 anos'>O que a Virada Cultural não aprendeu em 6 anos</a></li>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2010/04/27/e-la-vem-a-virada-cultural-2010/' rel='bookmark' title='E lá vem a Virada Cultural 2010!'>E lá vem a Virada Cultural 2010!</a></li>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2009/05/05/virada-cultural-2009-aos-trancos-e-barrancos/' rel='bookmark' title='Virada Cultural 2009 aos trancos e barrancos'>Virada Cultural 2009 aos trancos e barrancos</a></li>
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		<title>Sob a ótica do sem-teto</title>
		<link>http://veredaestreita.org/2012/04/10/sob-a-otica-do-sem-teto/</link>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 07:53:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafaela Carvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[De dentro do prédio ocupado por pessoas sem moradia, vi o antes, o durante e o depois de uma das reintegrações de posse realizada no centro de São Paulo em fevereiro.
Leia também:<ol>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2011/04/27/virada-cultural-2011/' rel='bookmark' title='O que a Virada Cultural não aprendeu em 6 anos'>O que a Virada Cultural não aprendeu em 6 anos</a></li>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2012/02/16/quem-pode-ir-pra-rua/' rel='bookmark' title='Quem pode ir pra rua?'>Quem pode ir pra rua?</a></li>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2012/02/28/como-acabar-com-uma-festa-bombas-no-bixiga/' rel='bookmark' title='Como acabar com uma festa: bombas no Bixiga'>Como acabar com uma festa: bombas no Bixiga</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #000000;"><em><em>De dentro do prédio ocupado por pessoas sem moradia, vi o antes, o durante e o depois de uma das reintegrações de posse realizadas no centro de São Paulo em fevereiro</em>.</em></span></p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/17.jpg"><img class="alignnone  wp-image-3878" title="&quot;Pro olho da arrua&quot;" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/17.jpg" alt="" width="580" height="435" /></a>Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>Em dezembro de 2011, fui a uma ocupação de moradores sem-teto no centro de São Paulo para assistir a um <a title="YouTube: &quot;Sarau da Ocupação da São João&quot;" href="http://www.youtube.com/watch?v=yYrE2y1Vzsw" target="_blank">Sarau</a>. A visita me rendeu uma matéria em vídeo para a faculdade e curiosidade. Eu, que sempre passo pelo centro da cidade para fazer meus caminhos diários, nunca tinha reparado naquele prédio, que estava na minha frente todos os dias, mas para o qual eu não me dava o trabalho de olhar. E lá dentro tinha gente. E gente querendo ser ouvida.</p>
<p><span id="more-3820"></span></p>
<p>No Sarau, ouvi de uma jovem militante o significado de &#8220;ocupar&#8221; para ela: &#8220;É tomar para si&#8221;. Aquilo nunca mais saiu da minha cabeça. Principalmente ao perceber que eu não sabia fazer isso. Ou, no máximo, sabia fazer de uma maneira desinteressada. Não abraçava minha cidade como faziam aqueles ocupantes, que moravam no prédio da Av. São João.</p>
<p>Pouco tempo depois, ouvi do arquiteto Ciro Pirondi, um dos fundadores e atual diretor da <a title="Sítio oficial: Escola da Cidade" href="http://www.escoladacidade.edu.br/" target="_blank">Escola da Cidade</a>, que a cidade era violenta porque era vazia. Ninguém se apodera de algo que é de todos. &#8220;Para nós, a noção de segurança está em chegar em casa e trancar as portas. Melhor ainda se for em um condomínio fechado.&#8221;</p>
<p><strong><br />
Que cidade é essa?</strong><br />
Então, optei por mudar. Desde o começo do ano, uma das minhas resoluções para 2012 era bem simples: prestar mais atenção na cidade onde nasci, cresci e moro até hoje. Conhecer São Paulo, pelo menos um pouquinho, sem aquele olhar distante e encabrestado que a gente tem quando enxerga a cidade apenas como um espaço a ser atravessado, e não um lugar que se toma para si.</p>
<p>Um mês depois da meta estabelecida, soube da reintegração de posse que aconteceria em um dos prédios do centro da cidade, ocupado por pessoas sem-teto, liderados pela <a title="Sítio oficial: Frente de Luta por Moradia" href="http://www.portalflm.com.br/" target="_blank">Frente de Luta por Moradia</a> (FLM). Era uma ocupação vizinha à que eu havia visitado. Pensativa, atordoada e um tanto curiosa, saí de casa às 22h30 do último 1° de fevereiro. E rumei para o centro da cidade, munida de gravador, câmera, papel, caneta e uma bela cara-de-pau.</p>
<p>Tomada pelo receio de que tudo desse errado, pensei algumas vezes em recuar. Senti que estava sendo invasiva. Mas segui até o metrô República e, depois, à esquina mais famosa de São Paulo. Tive medo de qualquer coisa que a Polícia Militar pudesse fazer ao retirar os ocupantes do prédio que, pela Lei, não lhes pertencia. Tive medo de ver gente machucada.</p>
<p><strong><br />
Ipiranga x São João</strong><br />
23h. Do lado oposto ao Bar Brahma, o prédio que seria desocupado assim que amanhecesse era contemplado por algumas pessoas. Entre elas, alguém que me acompanharia madrugada adentro: Maria do Planalto. Mais tarde, eu descobriria que ela é uma das mulheres à frente da FLM.<br />
- Você mora no prédio que vai ser desocupado? &#8211; perguntei, assim que a vi.<br />
- Não. É que quando acontece uma desapropriação, eu, a FLM e os moradores das ocupações vizinhas prestamos solidariedade. Vamos passar a noite em claro aqui na ocupação ao lado. Quer vir junto?</p>
<p>Aceitei na hora. E rumei para um prédio da Ipiranga, vizinho àquele em que os moradores guardavam seus pertences.</p>
<p>Em menos de quinze minutos da minha chegada ao centro da cidade, eu já havia sido acolhida, já haviam me oferecido milho cozido e eu já estava conversando com moradores da ocupação vizinha. Fui avisada para ter cuidado com um vazamento na escadaria (&#8220;O encanador vem só semana que vem&#8221;, explicou Maria do Planalto) e que, se eu ficasse cansada, um quarto de visitantes estava pronto para me receber.</p>
<p>Num espaço que servia de sala, cozinha e área e lazer das crianças, conheci muitas mulheres à frente do movimento que luta por um teto: Maria Góes, com sono, mas não querendo dormir; Boazinha, que ajudava todo mundo em tudo; Teodora, de mais idade, na cozinha, ao lado da Luzia; Zezé, a mais ansiosa, esperando o amanhecer; no meio delas, apenas um homem: seu Batista, que aparentava uns 70 anos de idade. E que me definiu, na simplicidade de suas palavras, o que a Frente de Luta por Moradia busca:<br />
- Não queremos ficar ocupando prédios, quebrando cadeados pro resto da vida. Nosso sonho é poder pagar pela nossa própria moradia. Ter um lugar para viver.</p>
<p>Foi aí que me caiu a ficha: ninguém entra em um prédio para ficar ali para sempre. Ocupar lugares abandonados é a maneira desse movimento ser visto e levado a sério. É a maneira que eles encontram para ser vistos como pessoas que precisam de um lugar para morar. Na rua, são vítimas apenas de olhares tortos e da falta de atenção &#8211; inclusive do Estado. Num prédio que não lhes pertence, incomodam. São vistos, pelo menos.</p>
<p><strong><br />
Sentença de morte do pobre<br />
</strong>- Qual é a sensação de viver com uma bomba-relógio tiquetaqueando, sem você saber quando ela vai explodir?<br />
- Me quebra os braços e as pernas &#8211; respondeu para mim a Zezé -. É triste principalmente para as crianças. Ficar sem moradia é a sentença de morte do pobre.<br />
Olhando por uma janela para a Avenida Ipiranga, contei oito prédios desocupados no centro (entre eles, o famoso <a href="http://www.ipiranga895.outraspalavras.net/" target="_blank">Ipiranga 895</a>). Alguns, inclusive, com tijolos nas janelas e portas de entrada, para impedir que alguém entrasse ali novamente. Quantas sentenças de morte não foram proferidas ali, naquele tijolo-sobre-tijolo que colocou centenas de pessoas ao relento? Foi então que entendi o que a Maria do Planalto quis dizer quando nos contou que se orgulha de cada cadeado quebrado e prédio ocupado. Mas também disse que a FLM não age com resistência ou confronto à ação policial no momento de uma reintegração de posse.</p>
<p>Perdi o medo do amanhecer. Mas no lugar, fiquei com o coração apertado.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/3.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3855" title="Comida" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/3.jpg" alt="" width="580" height="353" /></a>A cozinha da ocupação tem fartura de alimentos. Quem não tem dinheiro não precisa pagar por eles &#8211; mas nem por isso passa fome. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p><strong>Churrasco e bate-papo<br />
</strong>- Estou ansiosa. Vou fazer uma carne pra passar o tempo &#8211; disse a Luzia. Enquanto colocava picanha e coxão duro na grelha e separava a farofa, ela me explicou que todos os dias um grupo da ocupação ia até o mercado municipal comprar alimentos com o dinheiro que juntavam dos moradores. Verduras, legumes, frutas e por aí vai. A cozinha estava cheia.<br />
- E quem não tem dinheiro?<br />
- Não paga. Mas também não passa fome.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/4.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3856" title="4" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/4.jpg" alt="" width="580" height="435" /></a>O churrasco que uniu alguns dos moradores, madrugada adentro, à espera da desocupação do prédio vizinho: picanha, coxão duro e farofa até dizer chega. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>Mais à vontade, ajudei a servir a carne, o suco, a farofa&#8230; e ouvi reclamações dos moradores a respeito do descaso da prefeitura. Só a dona Maria Góes já estava há três anos esperando uma moradia.</p>
<p>- Quando a gente é despejado desses prédios, entra em uma fila para conseguir moradia porque a Prefeitura define a nossa situação como não-emergencial.</p>
<p>Não entendi até agora como estar sem moradia não caracteriza um alerta vermelho.</p>
<p>Em uma roda de cadeiras plásticas e banquinhos de madeira, ouço de todos os moradores ali presentes a mesma reclamação: a Prefeitura diz que vai fazer o cadastro de quem vive nas ocupações para que as famílias possam ser direcionadas a conjuntos habitacionais populares. O problema é que as empresas terceirizadas que vão às ocupações a mando da prefeitura chegam nos prédios durante a tarde &#8211; horário de expediente.<br />
- É quando só tem mulher grávida, criança e pessoa com deficiência aqui. O resto tá trabalhando &#8211; desabafam. Surge daí o dilema: ir para o trabalho e não estar presente na realização do cadastro da Prefeitura ou garanti-lo e perder mais um dia de expediente?</p>
<p>Mas morar na rua, eles deixam claro, não é ruim por causa de mendigos ou da própria rua em si.<br />
- O problema é a GCM (Guarda Civil Metropolitana) e a PM. Eles arrancam tudo que é nosso. Já vi policial da ROTA tentando colocar droga na pochete de um dos nossos. Anotei placa do carro e hora, para fazer uma denúncia , mas nada aconteceu &#8211; conta Zezé.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/5.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3872" title="Quarto" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/5.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a>O quarto, montado para receber hóspedes daquela noite. Senti como se fosse parte da realeza. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>Depois de muitas horas de conversa, a Maria do Planalto insistiu para que todos fossem descansar.<br />
- Quatro da manhã a gente levanta pra começar a fazer barulho. O pessoal que vai ser despejado precisa do nosso apoio &#8211; repetiu.<br />
Ela me levou para um quarto onde encontrei uma cama de casal, dois ou três colchões de ar, lençois e cobertas finas, água, Bíblia, temperos de cozinha, alguns enfeites natalinos, panos de prato, rodo, vassoura, uma televisão ligada, bandeiras da FLM e uma janela com o vidro quebrado (nada que um lençol grande não ajudasse a cobrir), com vista para a Avenida Ipiranga. Vi que, na varanda, estava fincada com prego uma bandeira da Frente de Luta por Moradia. Comecei a ficar com frio na barriga outra vez.</p>
<h5></h5>
<p>Contemplando o centro vazio, tive medo. Fiquei ali uns cinco minutos antes de me deitar. Tive uma das maiores sensações de impotência do mundo. Não segurei o choro.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/8.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3858" title="Avenida Ipiranga" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/8.jpg" alt="" width="580" height="1031" /></a>A Avenida Ipiranga vazia, lá pelas três da manhã. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p><strong><br />
Enfim, no prédio<br />
</strong>Acordei antes que a Maria do Planalto fosse me chamar, já com alguns gritos de moradores das ocupações vizinhas. Antes do sol nascer, já era possível ver pessoas na esquina mais famosa de São Paulo, reivindicando moradia, xingando o prefeito e fazendo barulho da maneira que podiam.</p>
<p>Desci, mas por pouco tempo. Logo entrei no prédio que sofreria a reintegração de posse. Via pessoas arrumando malas (havia, em toda a ocupação, cerca de 400 moradores), veículos da grande mídia circulando com suas câmeras enormes, pessoas sentadas esperando a hora de sair. De fato, não relutariam.</p>
<p>Não havia quartos. Por todos os espaços que passei no prédio, vi tapumes servindo como divisórias para criar vários cômodos que deviam ter algo em torno de 5m². Os tapumes ficavam espalhados por toda parte, e depois me foi explicado que eles estavam dispostos propositalmente daquela maneira, para dificultar ao máximo a ação da polícia durante a reintegração de posse. Tornar o trabalho mais maçante mesmo.</p>
<p>Havia gente que ainda dormia, em algum cantinho, e procurava descansar para um longo dia &#8211; o primeiro em meses sem um teto onde se abrigar. E também havia crianças, que em plena madrugada, brincavam como se fosse um sábado ensolarado. Foi assim que conheci o Wesley e o Felipe.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/10.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3859" title="Felipe e Wesley" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/10.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a>Felipe e Wesley. Foto: Rafaela Carvalho.<br />
<strong></strong></h5>
<p><strong>&#8220;Seu pai bebeu maconha?&#8221;<br />
</strong>Os dois pequenos, tinham entre seis e dez anos de idade, não mais que isso. Depois de muito tempo brincando de pega-pega com eles, perguntei para o Wesley:<br />
- Cadê a sua mãe?<br />
- Tá ali, ó &#8211; apontou pra uma moça sentada, observando-o de longe.<br />
- E o seu pai?<br />
- Ih. Meu pai morreu.<br />
Fiquei constrangida.<br />
- Morreu?<br />
- Na verdade, não&#8230; ele tá preso.<br />
O Felipe interrompeu nossa conversa para entender melhor a situação do Wesley:<br />
- Ué, tá preso? Por um acaso ele bebeu maconha e a polícia pegou ele?<br />
Para minha surpresa, Wesley apenas deu os ombros e fez um sinal afirmativo com a cabeça.</p>
<p>Deixei os meninos brincando sozinhos e fui conhecer o resto do prédio. O clima de tensão crescia no mesmo ritmo que a claridade aumentava e o dia amanhecia. Mais gente ia pra rua fazer barulho, mais pessoas apareciam fora de seus cômodos. Os primeiros jornais da manhã já anunciavam a chegada da polícia e o início do processo de reintegração de posse.<br />
<strong></strong></p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/11.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3860" title="Imprensa fria" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/11.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a>Tive vontade de chutar esse cinegrafista para longe. Ele estava filmando um pai dormindo abraçado ao seu filho. Fez o favor de acordá-lo com essa luz nada discreta, só para que sua filmagem ficasse boa. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p><strong> Mentiras em TV aberta<br />
</strong>Os noticiários começaram e os ocupantes do prédio ligaram suas televisões. Uma delas, na área comum, próxima à porta de entrada, registrou um dos momentos mais marcantes que já vivi em toda minha vida: o apresentador da Band, Luciano Faccioli, <a title="Blog Maria da Penha Neles: &quot;Luciano Faccioli como assim? Não precisa ter prêmio da ONU ou de inteligência. Ela ofereceu o corpo à droga?? A polícia deve determinar a saída ou por bem ou na porrada, porque tem horas que o diálogo não funciona?????&quot;" href="http://mariadapenhaneles.blogspot.com.br/2012/02/luciano-faccioli-como-assim-policia.html" target="_blank">falando que as pessoas que estavam ali não passavam de desocupadas</a>. Que as mulheres da ocupação precisavam lavar uma louça, enquanto os homens precisavam subir uma laje. Chamou as pessoas com quem convivi a noite inteira de vagabundos. Disse que havia consumo de drogas dentro dos prédios que são (como ele diz) &#8220;invadidos&#8221;, sendo que eu, que passei a noite inteira por ali e não vi uma droga ilícita sequer. Aliás, não vi nem bebida alcoólica &#8211; e a Maria do Planalto até me explicou que o consumo não era permitido nas ocupações, justamente para manter a ordem nesses lugares.</p>
<p>E aí, o paulistano que liga a TV pela manhã para se informar recebe esse tipo de informação. Distorcida, nojenta, desinteressada, jogada de qualquer jeito. Enquanto só quem estava lá dentro sabia que aquilo era mentira. Todos gritaram de raiva para a televisão, mas seus gritos não se propagaram além daquela esquina.</p>
<p>&nbsp;</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/15.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3861" title="Imprensa fria" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/15.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a>Não viu o que aconteceu de madrugada, não se abaixa para falar com as pessoas, observa os moradores da ocupação com expressão de desdém. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>O choro da PM<br />
</strong>Era hora de sair. A líder da ocupação, dona Carmem, reuniu todos os moradores na entrada do prédio. Olhando para mães com bebês no colo, famílias inteiras de malas feitas rumo à rua e para idosos com dificuldades até para se manter em pé, proferiu um discurso:</p>
<p><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/14.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3862" title="Discurso final" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/14.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a><br />
- Ninguém aqui é criminoso. Criminosa é a juíza que nos colocou na rua. Os governantes não olham para a gente. A cidade não oferece nenhuma alternativa de moradia digna para nós. A televisão vem aqui para nos esculhambar&#8230; mas nós vamos proceder sem nenhum confronto, como cidadões (sic) de bem e de paz. A nossa união e o nosso amor são maiores que tudo. E eu tenho orgulho de fazer parte de um movimento que luta pela inclusão social.</p>
<p>Num cantinho, mais perto da porta por onde as pessoas sairiam, vi três policiais militares devidamente fardados, esperando o discurso da dona Carmem terminar. Um deles, identificado na farda como Soldado Cláudio, não conteve as lágrimas. Foi preciso coragem para falar com ele. A resposta que ouvi foi:<br />
- Não temos o que fazer. Estamos cumprindo uma ordem judicial, mas é muito difícil. Não podemos fazer nada por eles a partir do momento que eles deixam o prédio.</p>
<p>O comandante da operação, Major Félix, também falou com os moradores da ocupação: disse que sabia que ali só havia trabalhadores, gente humilde e sofrida.<br />
- A PM sabe que aqui só tem trabalhador, não tem drogado nem viciado. Infelizmente, nós temos que fazer cumprir a ordem da juíza, pois estamos sob pena de desobediência se não fizermos isso. Então, nós vamos, desocupar. E eu estou orando todos os dias para que um dia o Estado venha a fornecer uma casa para vocês.</p>
<p>A desocupação seria feita da seguinte maneira: depois que todos saíssem do prédio, a polícia acompanharia cada uma das famílias que quisesse entrar ali novamente para retirar seus pertences. Os objetos maiores iriam para um caminhão, cujo destino não era sequer definido &#8211; nem os próprios funcionários que carregariam eletrodomésticos e pertences maiores souberam dizer para onde tanta coisa iria. Algo me diz que nenhum daqueles moradores conseguiu reaver o que deixou dentro da ocupação.</p>
<p>Nessa hora, eu nem fazia mais questão de esconder as lágrimas. Ao lado do policial, segurando o gravador que captava sua fala, apenas virei a cabeça para o lado, para que o barulho do meu choro não interferisse no áudio.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong><br />
&#8220;Quem não luta&#8230; tá morto!&#8221;<br />
</strong>Foi uma cena bonita: as bandeiras cor de vinho da FLM formaram um cerco. As crianças, cercadas pelas bandeiras, segurando-as, começaram a sair. O céu já claro, o sol já forte. Foi quando as pessoas de fora, que passavam pela Avenida Ipiranga, estivessem elas a pé, nos carros ou nos ônibus, viram os rostos de quem esteve invisível para elas durante todo esse tempo &#8211; e até para mim há poucos meses. Saí ao lado dos pequenos e percebi o quanto pessoas que estavam do lado de fora ainda gritavam. Não haviam parado, por cinco minutos sequer, de exigir seu direito à moradia.</p>
<p>No meio da bagunça, reencontrei o Felipe, criança com quem havia brincado antes de amanhecer. Ele não parecia abalado nem assustado. A situação parecia algo com que ele já estava acostumado.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/16.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3864" title="Felipe" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/16.jpg" alt="" width="580" height="1031" /></a>Felipe, agora do lado de fora, não parece se abalar tanto com a reintegração de posse. Até sorriu pra câmera depois que viu que era eu que estava fotografando. Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>Vi pessoas que, ao passar pela Avenida Ipiranga, ficavam um pouco curiosas. Algumas me encaravam e tentavam, de alguma maneira, entender meu choro. No meio do abre-e-fecha do movimentado semáforo daquela esquina, muita gente só olhou para o prédio por causa do meu rosto inchado. E naquela hora, nem eu sabia explicar muito bem o que estava sentindo. Era uma mistura amarga de impotência, tristeza, frustração, nojo do mundo. Vergonha por compactuar com um governo que opta por colocar pessoas na rua e acha que está fazendo algo muito grandioso ao colocá-las em uma fila de espera até que tenham seu próprio teto.</p>
<p>Mas a luta daquelas pessoas, até então invisíveis, continuava. Com a ajuda das ocupações vizinhas, que haviam prometido apoio moral, recolheram-se tapumes, tábuas e ferramentas. E a não menos de 100 metros do prédio desocupado, tudo aquilo se tornou um barraco comunitário gigante. Ele seria desmontado em menos de 24 horas, mas os reflexos dele dentro de mim nunca se apagaram.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/18.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3865" title="Barracão" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/18.jpg" alt="" width="580" height="341" /></a>Ninguém mais está chorando. As lágrimas deram lugar a martelos, pregos, tábuas de madeira e tapumes. O barracão comunitário, porém, não ficaria ali mais do que 24 horas. Foto: Rafaela Carvalho.<br />
<strong><br />
</strong></h5>
<p><strong>Cidade desumana<br />
</strong>O diretor da Escola da Cidade, Ciro Pirondi, vê a habitação como fator humanizador da cidade. &#8220;Esse tema precisa ser permanente nos assuntos do Estado. Precisamos enfrentar isso não só academicamente, mas na realidade&#8221;. Pirondi ainda diz que a justiça social é possível apenas por meio do uso e da vivência da cidade. &#8220;São Paulo não pode ser apenas um lugar de trânsito e escoamento de mercadoria. Deve ser lugar de convívio, fruição gentil, alegre e feliz dos espaços, não fechando as praças&#8221;.<br />
<strong><br />
</strong></p>
<p><strong>Cidade de quem? Para quem?</strong><br />
Tomar para si não é o mesmo que tomar como seu. O prédio, hoje, está abandonado. Com algum fim específico? Ainda não se sabe. Sabe-se apenas que os moradores não estão mais ali. E também não estão mais no centro, que cada dia ganha mais cara de um lugar fantasmagórico e abandonado.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/13.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3880" title="Da janela" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/04/13.jpg" alt="" width="580" height="326" /></a>Foto: Rafaela Carvalho.</h5>
<p>A cidade de São Paulo não é feita para pessoas. É feita para automóveis particulares e indivíduos apressados demais para entendê-la e desfrutá-la.</p>
<p>Embora o centro esteja cada vez mais vazio, a mobilização em prol do outro não existe. Para o paulistano, naquela esquina que fez história e que tem música em sua homenagem, restará apenas a mesma paisagem de sempre, a mesma sensação de deserto e o sentimento coletivo de que está para se apagar, com a borracha das balas da polícia, um lugar que obriga São Paulo a enxergar-se de uma maneira que nem os próprios paulistanos conseguem ver: pelos olhos do outro.</p>
<p>Rafaela Carvalho</p>
<p>Leia também:</p><ol>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2011/04/27/virada-cultural-2011/' rel='bookmark' title='O que a Virada Cultural não aprendeu em 6 anos'>O que a Virada Cultural não aprendeu em 6 anos</a></li>
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</ol>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Como acabar com uma festa: bombas no Bixiga</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Feb 2012 17:56:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Olé</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Durante o carnaval no bairro do Bixiga, a Polícia jogou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a alegria da população.
Leia também:<ol>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2012/02/16/quem-pode-ir-pra-rua/' rel='bookmark' title='Quem pode ir pra rua?'>Quem pode ir pra rua?</a></li>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2012/02/16/album-folia-autorizada-sao-paulo-2012/' rel='bookmark' title='Álbum: Folia autorizada &#8211; Vila Madá, São Paulo, 2012'>Álbum: Folia autorizada &#8211; Vila Madá, São Paulo, 2012</a></li>
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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6132.jpg"><img class="size-full wp-image-3673 alignnone" title="IMG_6132" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6132.jpg" alt="" width="580" height="387" /></a>Foliões no Bloco Esfarrapado. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<p>São Paulo, dia vinte de fevereiro de dois mil e doze, cinco horas da tarde. <strong>Segunda-feira de carnaval</strong>. Chego à Rua Treze de Maio vindo da região da Av. Brigadeiro Luís Antônio, o que de costume é o contra-fluxo dos automóveis. Mas hoje tanto faz, ninguém dita qual é a mão. É dia especial. Dia de festa. Dia de quem não nasceu com motor: o trânsito foi bloqueado.<span id="more-3651"></span></p>
<p>Conforme vou me aproximando da folia, ouço o som de funk. Vem de um carro que está estacionado um pouco antes da esquina. Muitas pessoas dançam. A grande maioria do funk é composta por jovens. Já do cruzamento, que está tomado, avisto dois caminhões de som na Rua Conselheiro Carrão que tocam marchinhas e onde tem a maior concentração de fantasias. Todos eles (obviamente incluindo o carro do funk) não tocam música ao vivo. E isso não mostra ser um problema. Parecem se divertir bastante. Tudo muito junto e misturado.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6136.jpg"><img class="size-full wp-image-3674 alignnone" title="IMG_6136" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6136.jpg" alt="" width="580" height="387" /></a>Foliões no Bloco Esfarrapado. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<p>&nbsp;</p>
<p>Muita alegria. Muita gente fantasiada. Muita marchinha. Muita diversidade. Muitas fotos.</p>
<p>Às 19h horas, o som acaba. Penso: &#8220;mas já?&#8221; Pulavam há algumas horas, mas ainda demonstravam fôlego pouco antes de puxarem a tomada. Mais algumas fotos. Parece ser o fim mesmo: o último caminhão se prepara pra sair. Dois representantes do bloco correm pra tirar as faixas que estão penduradas nele, antes que saia. Ao lado, uma policial militar grita para um dos homens em cima do trio:</p>
<p style="text-align: center;"><em>“Você tá de brincadeira, né????? Por que não tirou isso antes????”</em></p>
<p>Indignada, pega uma caneta e vai pra trás do caminhão. Parece que anota a chapa. Percebo que avista meu bloco de anotações enquanto leio seu nome. Segunda Tenente Janne.</p>
<p>O caminhão saiu e liberou a rua. O alvará da prefeitura permitia o impedimento do trânsito de automóveis até as 19h. Às 19h09, ela estava indignada ali querendo que o caminhão partisse o mais rápido possível.</p>
<p>Resolvo perambular e tenho a oportunidade e conhecer um dos fundadores do <strong>Bloco Esfarrapado</strong>. O senhor Isidoro Luzzo (família de origem italiana, da Calábria). Contou como surgiu o bloco em 1947, quando ele e mais outros 17 amigos saiam cantando pelo bairro. <em>&#8220;Foi assim, meio de repente&#8221;</em>. Desde então, <strong>há 65 anos</strong>, toda segunda-feira de carnaval, <strong>o bloco sai</strong>. E o jovial Isidoro garante que esteve em todas!</p>
<p>Papo vai, foto vem, sinto que é hora de partir da calorosa comunidade do Bixiga. Mas, vejo que a Polícia Militar quer colocar seu bloco na rua também: está com seus escudos em formação de combate. Vem marchando sem música pela Conselheiro Carrão em direção à Treze de Maio. Bloco diferente dos demais, mas bem conhecido (até fora de época). Talvez inspirado no velho oeste americano, nas cenas de bangue-bangue, onde existe um desafiante e um desafiador.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6180.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3678" title="IMG_6180" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6180.jpg" alt="" width="580" height="387" /></a>Polícia vindo em direção ao cruzamento. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<p>Só bastava entender quem era quem: se era o povo quem desafia, por ainda permanecer ali se divertindo, após expirar a autorização da alegria; ou se era o desafiado a abrir mão do espaço público para os carros que querem passar.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6197.jpg"><img class=" alignnone" title="IMG_6197" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6197.jpg" alt="" width="580" height="283" /></a>A Polícia Militar e seus equipamentos. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<p>De um lado: vários soldados com cassetetes na mão, outros também com escudos, um com uma sacola de bombas e outro com uma escopeta de balas de borracha.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6186.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3679" title="IMG_6186" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6186.jpg" alt="" width="580" height="284" /></a>Foliões nas ruas do Bixiga. Foto: Olegário A. Filho</h5>
<p>Do outro: civis fantasiados, crianças com jatos de espuma, adolescentes sem camisas, senhoras, pais de família&#8230; pessoas desarmadas. Talvez tentassem imaginar até onde o Estado iria com aquilo.</p>
<p>A mensagem sem palavras dos policiais parecia ser: “saiam da nossa frente”. Talvez pensassem que ao serem avistados, o povo iria sair correndo de medo, intimidados. E as ruas pareceriam de uma cidade fantasma. No máximo, só restariam os mais corajosos do lugar.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6210.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3689" title="IMG_6210" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6210.jpg" alt="" width="580" height="387" /></a>Policiais prontos para enfrentar lança espumas de carnaval. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<p>O passo era lento. E consistia em tirar também os carros estacionados, que iam saindo caso seus donos fossem localizados. O importante mesmo é calar o carro do funk.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6191.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3681" title="IMG_6191" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6191.jpg" alt="" width="580" height="387" /></a>Policiais expulsam cidadãos das calçada. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<p>Até quem estava na calçada, nas portas das casas, também era convidado a se retirar pelos homens de cassetetes na mão.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6192.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3682" title="IMG_6192" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6192.jpg" alt="" width="580" height="387" /></a>Conversa com cacetete. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<p>No cruzamento, começa aquele coro de vozes muito visto em outros pontos da cidade: <em><strong>&#8220;Ei, Kassab, vai tomar no cu!&#8221;</strong></em>. Além da <a title="Desculpe a Falha Nossa: '“Ei, Kassab, vai tomar no cu!” é a mais nova e sincera declaração de amor a São Paulo'" href="http://desculpeanossafalha.com.br/%e2%80%9cei-kassab-vai-tomar-no-cu%e2%80%9d-e-a-mais-nova-e-sincera-declaracao-de-amor-a-sao-paulo/" target="_blank">insatisfação com a administração</a>, as palavras contra o prefeito demonstram também resistência ante a <a title="SPressoSP: &quot;Prefeitura impede blocos de saírem às ruas&quot;" href="http://www.spressosp.com.br/2012/02/prefeitura-impede-blocos-de-sairem-as-ruas/" target="_blank">burocracia estatal</a> pelo espaço público.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_61981.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3727" title="IMG_6198" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_61981.jpg" alt="" width="580" height="495" /></a>Por gentileza: FORA! 1. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6200.jpg"><img title="IMG_6200" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6200.jpg" alt="" width="580" height="387" /></a>Por gentileza: FORA! 2. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<p>O clima foi ficando tenso. Percebe-se que os fardados estão cautelosos também. Esperam algo, que claramente vai acontecer. Afinal de contas, quem é que gosta de ser expulso da rua, do lugar que é tão seu?</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6212.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3688" title="IMG_6212" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6212.jpg" alt="" width="580" height="352" /></a>Outra calçada sendo esvaziada. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<p>Já estavam se aproximando muito da esquina, quando o óbvio (e esperado) sucede: voa um objeto pra cima dos policiais. Parece ser uma lata; cai no chão. Falo pra mim mesmo: &#8220;pronto, agora vai começar&#8221;. Os PMs dão mais um passo e, outro objeto. Prontamente, o PM da ala explosiva do bloco responde com uma bomba de efeito moral. Começa mais um desfile desmedido da polícia militar paulista. Agora, no carnaval do Bixiga.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6216.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3744" title="IMG_6216" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6216.jpg" alt="" width="580" height="387" /></a>Bomba de gás lacrimogêneo. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<p>Correria. Estabelecimentos comerciais fecham as portas. Aos que não podem correr, resta se espremer pra não tomar tiro de borracha e torcer pra que nenhuma bomba estoure a seu lado.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6225.jpg"><img title="IMG_6225" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6225.jpg" alt="" width="580" height="262" /></a>Bomba de gás lacrimogêneo. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<p>O rapaz das bombas mantém o ritmo. Muitos tossem, cobrem os rostos. No meio da quadra, o <a title="Escrevo, não espalha: &quot;Não somos conduzidos, conduzimos&quot;" href="http://torturra.wordpress.com/2011/05/22/nao-somos-conduzidos-conduzimos/" target="_blank">gás lacrimogêneo</a> atinge minhas vias aéreas em cheio. Impossível manter meus olhos abertos. Tudo queima.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6228.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3692" title="IMG_6228" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6228.jpg" alt="" width="580" height="264" /></a>Pessoas tentam se proteger dos tóxicos. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<p>O entroncamento de três vias torna lógica a divisão. Acabei descendo a Treze de Maio até a esquina com a rua São Vicente, onde parte das pessoas foi se esconder da truculência. Com a câmera em riste, colhi alguns depoimentos inflamados e muito indignados com a situação:</p>
<p><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="580" height="326" src="http://www.youtube.com/embed/myMEC6bJgrI" frameborder="0" allowFullScreen="true"> </iframe></p>
<p>Passo alguns minutos ouvindo as pessoas que esbravejam ao mesmo tempo. Me puxam indignadas. Querem muito ser ouvidas e que eu jogue tudo isso aos quatro ventos.</p>
<p>Subo de volta ao cruzamento pra ver qual era o resultado da ação. A polícia está postada com suas viaturas; diversas janelas que passaram o dia todo abertas, agora estão fechadas; menos pessoas nas ruas, mas ainda sim, bastante gente. Frente-a-frente com a polícia. Como se resistissem. Como se dissessem: “vocês não podem acabar com nossa festa&#8221;.</p>
<p>Com a câmera ligada, chego até o meio dos policiais pedindo pra falar com o comandante da ação. Hesitam. Percebo que quem comanda é a Segunda Tenente Janne. Sigo em sua direção perguntando se é a responsável. Apesar de tentar se esquivar dizendo que a operação ainda estava em curso e que falaria comigo somente na delegacia, acaba gentilmente respondendo qual era o objetivo da ação e relata o ocorrido pelos olhos da Polícia Militar.</p>
<p><iframe title="YouTube video player" class="youtube-player" type="text/html" width="580" height="326" src="http://www.youtube.com/embed/7JI8GKRHg1c" frameborder="0" allowFullScreen="true"> </iframe></p>
<p><em>_ Tenente, pode me dizer qual era o objetivo da operação?</em></p>
<p><em>_ O objetivo da operação era fazer com que tudo voltasse a normalidade.</em></p>
<p><em>_ O que é voltar a normalidade?</em></p>
<p><em>_ O pessoal pra fazer o carnaval nas ruas tinha uma autorização pra estar até as 19 horas. Tudo transcorreu normalmente durante o dia.</em></p>
<p><em>_ Estava tudo bem até então&#8230;?</em></p>
<p><em>_ Estava tudo ótimo. O pessoal colaborou com a gente. A gente conversou com o organizador do evento, que é o Rubens, tudo ótimo, tudo tranqüilo. Às 19 horas, que é hora de terminar o evento, a gente conversou com o pessoal dos trios, eles colaboraram com a gente também, desligaram o som. Foi ótimo! Tudo como combinado. Tudo conforme foi combinado com a Prefeitura [de São Paulo], com a CET [Companhia de Engenharia de Trânsito], com a Guarda Municipal e com a PM. Porém, a via continuou ocupada porque o carnaval acabou e virou um baile funk: o pessoal abriu as porta-malas dos carros e não conseguia&#8230; a gente não estava conseguindo liberar a via. Porém a autorização que a gente tinha era até as 19 horas. A gente precisava fazer com que tudo voltasse a transcorrer da maneira normal&#8230;</em></p>
<p><em>_Não podiam ter&#8230;</em></p>
<p><em>_ Foi conversado. Ficamos muito tempo lá conversando com o pessoal e tentando negociar. Começamos a ser recebidos com garrafadas, garrafadas de vidro. E esse é nosso procedimento técnico pra repelir [parte incompreensível]. Então foi isso que aconteceu. Foi uma ação de Controle de Distúrbio Civil, foi uma ação de CDC, porém, só pra fazer tudo voltar à normalidade.</em></p>
<p>Termina a fala, vira-se e encerra a operação. Insisto, mas ela dá ouvidos a um soldado que diz: <em><strong>&#8220;Tenente, vamos embora! Deixa as pessoas falando ai!&#8221;</strong>. </em></p>
<p>Primeiro saem um corsa e a base-comunitária levando a tenente e alguns comandados. A última a deixar o cruzamento é a viatura da Força Tática, proporcionalmente hostilizada e insultada enquanto saia. Até uma comemoração eufórica e momentânea aconteceu pela saída da polícia. Mistura de alívio e revolta.</p>
<p>Mesmo assim, era nítido o clima de injustiça no ar. Os nervos ainda estavam exaltados e até houve desentendimento entre os foliões. Aquela áurea contagiante de alegria parecia nunca ter passado ali. A tristeza estava instalada nessa segunda-feira de carnaval, que é tão aguardada todos os anos. Difícil mensurar com palavras a importância dessa festa para uma comunidade tão tradicional como a do Bixiga. A tristeza não é igual a que uma escola de samba tem quando perde o campeonato, afinal está numa competição e sabe que pode perder. É bem pior no caso do bloco, da festa comunitária, que não compete com ninguém, faz aquilo simplesmente pelo puro prazer de tornar o dia da comunidade mais feliz. Os soldados não imaginam o tamanho do efeito moral que causaram com suas bombas.</p>
<p>Há ainda um outro local onde eu devo ir ainda nesta noite: a <strong>região da Vila Madalena</strong>. Será que a polícia estaria atuando da mesma forma em um bairro de maior poder aquisitivo?</p>
<p>Chego à rua Teodoro Sampaio e avisto a Praça Benedito Calixto tomada de pessoas. Inclusive a própria Teodoro &#8211; que os defensores do meio de transporte individual diriam que é uma importante via por ser muito movimentada &#8211; estava fechada. A famosa praça fica, aproximadamente, a 4,6 quilômetros dos acontecimentos no Bixiga. E também está a 1.800 metros da Rua Estados Unidos, 1586, ou melhor, do 78º DP, onde a ocorrência bombástica foi registrada.</p>
<p>Indago foliões se tinham visto a PM atuar com bombas de gás lacrimogêneo pela região. Nínguém viu nada.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6231.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3720" title="IMG_6231" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6231.jpg" alt="" width="580" height="387" /></a>Bloco Vai Quem Qué. Vila Madalena, São Paulo. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<p>Os únicos que sofrem alguma perseguição são os ambulantes. Correm de um lado para outro com anúncios da fiscalização: &#8220;Olha o rapa, olha o rapa!&#8221; Uma senhora disse que não era a Guarda Civil, mas sim a Polícia Militar. Indago se isso tudo não eram apenas boatos no meio da multidão. A única coisa que sabia era que se não duvidasse, poderia perder seu meio de trabalho. &#8220;É melhor correr</p>
<p>Acompanhei o <strong>Bloco Vai Quem Qué</strong> por mais de uma hora e nada. As vias eram fechadas e nenhuma bomba. Encontrei uma viatura da PM parada no transito de um cruzamento da Rua Henrique Schaumann &#8211; que na verdade é uma avenida, dadas as suas muitas faixas de rodagem &#8211; bloqueada pelo bloco. Os policiais não pareciam se importar muito. Um carro da CET menos ainda: estava no mesmo cruzamento, sem cerimônias, deu meia-volta e foi embora.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6250.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3721" title="IMG_6250" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6250.jpg" alt="" width="580" height="264" /></a>Viaturas da CET e da Polícia Militar vendo o bloco passar. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<p>No sábado de carnaval, duas noites antes, eu havia acompanhado os blocos daquela região e perguntei a um dos fundadores do <strong>Vai Quem Qué</strong> (que saiu de sábado a terça-feira) sobre alvará, autorização etc.  Ele me respondeu que jamais pediram e nem vão pedir. Questão de resistência pelo espaço público.</p>
<p>A atuação do Estado nos dois lugares foi diferente. Assim como, no pré-carnaval, o <strong>Bloco do Baixo Augusta</strong> havia sido <a title="Desculpe a Falha Nossa: '“Ei, Kassab, vai tomar no cu!” é a mais nova e sincera declaração de amor a São Paulo'" href="http://desculpeanossafalha.com.br/%E2%80%9Cei-kassab-vai-tomar-no-cu%E2%80%9D-e-a-mais-nova-e-sincera-declaracao-de-amor-a-sao-paulo/" target="_blank">impedido de sair</a> e na Vila Madalena <a title="Vereda Estreita: &quot;Álbum: Folia autorizada – São Paulo, 2012&quot;" href="http://veredaestreita.org/2012/02/16/album-folia-autorizada-sao-paulo-2012/" target="_blank">algumas pessoas</a> estavam <a title="Vereda Estreita: &quot;Quem-pode-ir-pra-rua?&quot;" href="http://veredaestreita.org/2012/02/16/quem-pode-ir-pra-rua" target="_blank">brincando e ocupando as ruas</a>. Nem todas porque, <a title="Folha: &quot;Blocos esbarram na burocracia para desfilar em São Paulo&quot;" href="http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1051889-blocos-esbarram-em-burocracia-para-desfilar-em-sao-paulo.shtml" target="_blank">segundo reportagem da Mariana Desidério</a>, o <strong>Cordão Kolombo</strong> (Vila Madalena) foi interrompido pela polícia no dia doze de fevereiro.</p>
<p>Ainda durante a confusão, o <strong>Bloco Esfarrapado </strong>(Bixiga) se adiantou e foi à delegacia fazer um boletim de ocorrência pra deixar claro que já havia liberado as ruas antes da confusão toda. E, portanto, não tinha nada a ver com aquilo. Tudo para fugir de possíveis represálias e que nos próximos anos as autoridades não neguem o legítimo direito do bloco sair às ruas. Seja tocando marchinhas, samba, rock, funk&#8230;</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6244.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3732" title="IMG_6244" src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_6244.jpg" alt="" width="580" height="387" /></a>Rua Artur de Azevedo, Vila Madalena/Pinheiros, São Paulo. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<p>Atitude completamente diferente do <strong>Vai Quem Qué </strong>(Vila Madalena/Pinheiros), que procura exercer seu direito de por o bloco na rua e estar próximo dos foliões, inclusive nesta luta politica pelo espaço público. Apesar de que parece ser um pouco mais fácil fazer isso naquela região.</p>
<p>E pra acabar, parte de um texto que várias autoridades insistem em ignorar:</p>
<p style="text-align: center;"><em>“<strong>Todos podem reunir-se</strong> pacificamente, sem armas,<br />
em locais abertos ao público, <strong>independentemente de autorização</strong>,<br />
desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada<br />
para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente”</em></p>
<h5>Parágrafo XVI do Art. 5º da <a title="Constituição da República Federativa do Brasil" href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constitui%C3%A7ao.htm" target="_blank"><strong>Constituição da República Federativa do Brasil</strong></a></h5>
<p>Olé</p>
<p>Leia também:</p><ol>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2012/02/16/quem-pode-ir-pra-rua/' rel='bookmark' title='Quem pode ir pra rua?'>Quem pode ir pra rua?</a></li>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2012/02/16/album-folia-autorizada-sao-paulo-2012/' rel='bookmark' title='Álbum: Folia autorizada &#8211; Vila Madá, São Paulo, 2012'>Álbum: Folia autorizada &#8211; Vila Madá, São Paulo, 2012</a></li>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2010/08/02/o-menininho-da-ambrosia/' rel='bookmark' title='O Menininho da Ambrosia'>O Menininho da Ambrosia</a></li>
</ol>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Quem pode ir pra rua?</title>
		<link>http://veredaestreita.org/2012/02/16/quem-pode-ir-pra-rua/</link>
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		<pubDate>Thu, 16 Feb 2012 23:22:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Olé</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O pré-carnaval da cidade de São Paulo teve um peso e duas medidas: enquanto blocos foram impedidos de circular, outros puderam exercer o legítimo direito de ocupar as ruas da cidade.
Leia também:<ol>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2012/02/16/album-folia-autorizada-sao-paulo-2012/' rel='bookmark' title='Álbum: Folia autorizada &#8211; Vila Madá, São Paulo, 2012'>Álbum: Folia autorizada &#8211; Vila Madá, São Paulo, 2012</a></li>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2010/03/30/xixi-aqui-nao-onde-entao-sei-nao/' rel='bookmark' title='Xixi aqui não! Onde então? Sei não&#8230;'>Xixi aqui não! Onde então? Sei não&#8230;</a></li>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2009/07/04/quem-sao-os-forasteiros/' rel='bookmark' title='Quem são os forasteiros?'>Quem são os forasteiros?</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_2136.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3598" title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_2136.jpg" alt="" width="580" height="387" /></a>Pré-carnaval, 2012. Vila Madalena, São Paulo. Foto: Olegário A. Filho</h5>
<p>O pré-carnaval da cidade de São Paulo teve um peso e duas medidas: enquanto blocos foram impedidos de circular, outros puderam exercer o legítimo direito de ocupar as ruas da cidade.</p>
<p>Os foliões do <a title="Twitter: Bloco Baixo Augusta" href="https://twitter.com/#%21/BlocoAugusta" target="_blank"><strong>Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta</strong></a> tiveram que se contentar com o confinamento em um estacionamento, como bois, gado. Claro que não estavam felizes. O grito de carnaval era direto e reto: <em><strong>“Ei, Kassab, vai tomar no cu!”</strong></em>, o que resume bem as muitas presepadas da administração do prefeito, como bem coloca <a title="Twitter: Lino Bocchini" href="https://twitter.com/#%21/linobocchini" target="_blank"><strong>Lino Bocchini</strong></a> no blog <a title="Desculpe a Falha Nossa: '“Ei, Kassab, vai tomar no cu!” é a mais nova e sincera declaração de amor a São Paulo'" href="http://desculpeanossafalha.com.br/%E2%80%9Cei-kassab-vai-tomar-no-cu%E2%80%9D-e-a-mais-nova-e-sincera-declaracao-de-amor-a-sao-paulo/comment-page-1/#comment-93414" target="_blank"><strong>Desculpe a Falha Nossa</strong></a>.<span id="more-3573"></span></p>
<p>E ao mesmo tempo, outras pessoas não foram impedidas de ocupar as ruas da <strong>Vila Madalena</strong>. Brincaram o carnaval democraticamente. Era só chegar e se misturar. Apesar da sugestão segregativa da <strong>PM</strong>, <a title="SPressoSP: &quot;Blocos, cordões e bandas carnavalescas garantem a folia dos paulistanos&quot;" href="http://www.spressosp.com.br/2012/02/blocos-cordoes-e-bandas-carnavalescas-garantem-a-folia-dos-paulistanos/" target="_blank">como relatou o jornalista</a> <strong>Igor Carvalho</strong>, do <strong>SPressoSP,</strong> que esteve presente na última <strong>reunião burocrática</strong> sobre as comemorações:</p>
<p>&#8216;o <strong>Capitão Novaes</strong>, do <strong>11º Batalhão da Polícia Militar</strong> sugeriu a idéia de <strong>elitizar</strong> a folia paulista:</p>
<p style="text-align: center;"><em>“O carnaval de São Paulo que se organize<br />
como o de Salvador, passando a cobrar de<br />
seus foliões, seria inclusive mais fácil para<br />
identificarmos as pessoas”&#8217;</em></p>
<p>A brincadeira foi gratuita. Mesmo existindo <strong>sugestões </strong>feitas por parte da própria polícia que excluem socialmente as pessoas. E até revelam as filosofias corporativas da instituição que deveria zelar pela integridade física e psicológica do ser humano e nunca ajudar a segregar classes e a propagar preconceitos.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_2257.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3602" title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_2257.jpg" alt="" width="580" height="387" /></a>Pré-carnaval, 2012. Vila Madalena, São Paulo. Foto: Olegário A. Filho</h5>
<p>E qual a finalidade de &#8220;identificarmos as pessoas&#8221;? Até que ponto o aparelho repressor do Estado precisa monitorar o cidadão? É o tipo de lógica que, se houvesse tecnologia, faria a polícia vigiar até mesmo o nosso pensamento. Baseado sempre no medo. Na <a title="Vereda Estreita: &quot;A cultura do medo&quot;" href="http://veredaestreita.org/2011/05/04/a-cultura-do-medo" target="_blank">cultura do medo</a>. Aliás, se vigilância fosse sinônimo de segurança, o <a title="Wikipédia: &quot;Programa Big Brother&quot;" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Big_Brother_%28reality_show%29" target="_blank">Big Brother</a> seria o lugar mais seguro do mundo, onde jamais surgeria qualquer <a title="Vereda Estreita: &quot;Aos fatos, uma reflexão&quot;" href="http://veredaestreita.org/2012/01/24/aos-fatos-uma-reflexao/" target="_blank">possibilidade de crime durante o programa</a>.</p>
<p>Sem falar que o Carnaval é exatamente a festa dos mascarados! É onde as pessoas não tem identidade, se vestem como querem, viram do avesso aquela coisa vaga conhecida por &#8220;a moral e os bons costumes&#8221;. Carnaval não é só Escola de Samba em competição, como insiste há muitos anos a grande mídia. É também cordão, bloco, banda, música, festa. Se é um absurdo querer vigiar sempre que possível a população, o que dizer deste momento tão especial?</p>
<p>E mais esdrúxulo ainda é burocratizar o Carnaval, exigindo procedimentos administrativos, tecnicos etc para que se autorize os blocos irem pra rua! Os processos não são para facilitar a vida dos foliões, dos cidadãos mas para desencorajá-los de sair de casa. Afinal, a lógica regenete é: <a title="Vá de Bike: &quot;CET pode ser punida por abrir a Av. Paulista para as pessoas&quot;" href="http://vadebike.org/2011/12/interdicao-bloqueio-av-paulista-iluminacao-natal/" target="_blank">a rua é do carro e não das pessoas</a>.</p>
<p>Nas entrelinhas, é o mesmo que dizer: as pessoas não podem ocupar as ruas sem prévia autorização; que o espaço público não é público.</p>
<p>Então, levantam-se as senhorinhas dos bons costumes e perguntam:</p>
<p>_ &#8220;Mas esses baderneiros saem mijando pelas ruas? E o lixo que esses&#8230;?&#8221;</p>
<p>Respondo: os mijões, assim como as senhoras, precisam mijar, afinal, todos nós mijamos. Durante o carnaval, as pessoas estão mais tempo nas ruas, nos espaços públicos, longe de seus banheiros particulares. Como não existem banheiros públicos, ficam à mercê da benevolência do comercio da região. O resultado é visto com um número considerável de pessoas urinando nas ruas. Ou seja, bebendo álcool ou não, um ser humano de tempos em tempos precisa utilizar o banheiro. Portanto, os mijões, só escancaram o descaso do Poder Público com a população: onde estão os banheiros públicos? E por um erro do Estado, as pessoas são condenadas a ficar em casa.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_2391.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3601" title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_2391.jpg" alt="" width="580" height="387" /></a>Pré-carnaval, 2012. Vila Madalena, São Paulo. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<p>O mesmo raciocínio vale para as lixeiras. Onde elas estão? Por que não intensificar a coleta levando em conta também a circulação de pessoas? A cidade já não tem lixeiras suficientes no quotidiano, o que dirá em festas&#8230;</p>
<p>E quais são as saídas dos governos que não dão assistência ao cidadão normalmente? Culpar as pessoas, ou no bom e velho português: tirar o corpo fora. A culpa sempre é do cidadão, repare. Jamais o Governo é culpado por não oferecer infra-estrutura adequada. No Rio de Janeiro, em 2010, por exemplo, eles <a title="Vereda Estreita: &quot;Xixi aqui não! Onde então? Sei não...&quot;" href="http://veredaestreita.org/2010/03/30/xixi-aqui-nao-onde-entao-sei-nao/" target="_blank">improvisaram colocando muito menos banheiros químicos do que realmente deveria</a> (sem a devida manutenção necessária durante o evento) e prendiam quem fazia xixi na rua. Este ano, <a title="CBN: &quot;Dirigível a gás guiado por controle remoto vai monitorar os blocos de rua do Rio&quot;" href="http://cbn.globoradio.globo.com/grandescoberturas/carnaval-2012/2012/01/31/DIRIGIVEL-A-GAS-GUIADO-POR-CONTROLE-REMOTO-VAI-MONITORAR-OS-BLOCOS-DE-RUA-DO-RIO.htm" target="_blank">até mesmo um dirigível</a> será usado para vigiar os foliões. E serão <a title="Terra: &quot;Rio de Janeiro inova: Carnaval de rua terá 15 mil banheiros químicos&quot;" href="http://diversao.terra.com.br/carnaval/2012/noticias/0,,OI5586634-EI19417,00-Rio+de+Janeiro+inova+Carnaval+de+rua+tera+mil+banheiros+quimicos.html" target="_blank">15 mil banheiros químicos</a> para 450 blocos! Um dos maiores e mais tradicionais blocos, na última sexta-feira (10/02/12, pré-carnaval), reuniu entre 80 e 130 mil pessoas! A polícia <a title="Jornal do Brasil: &quot;Desfile do Bola Preta termina com 68 mijões na delegacia&quot;" href="http://www.jb.com.br/rio/noticias/2012/02/11/desfile-do-bola-preta-termina-com-68-mijoes-na-delegacia/" target="_blank">prendeu 68 mijões</a>. Faltou a conta de quantas pessoas passaram perrengue querendo urinar, quantos banheiros químicos estavam à disposição no local, quantas pessoas urinaram no espaço público e não foram presas, quantos se valeram de banheiros do comércio da região.</p>
<p>E tudo isso não está atrelado apenas ao carnaval. Mas as políticas urbanas são assim. Por exemplo, repare nas praças. As poucas que existem, são confortáveis ou são bonitas? Ou seja, elas foram construídas para serem admiradas ao passar por elas (de carro) ?</p>
<p>O discurso é sempre o do monitoramento, da repressão, da segregação. Rumamos para a <a title="Wikipédia: &quot;Distopia&quot;" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Distopia" target="_blank">distopia</a>.</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_2541.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3603" title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_2541.jpg" alt="" width="580" height="387" /></a>Pré-carnaval, 2012. Vila Madalena, São Paulo. Foto: Susan Ritschel.</h5>
<p>Quais são as políticas públicas que incentivam os cidadãos a estarem na rua? Apenas as que envolvem os carros. Além da falta de banheiros, as poucas praças que existem (quando não estão gradeadas), são pouco confortáveis; todas as ruas tendem a ser vias expressas dadas a alta velocidade dos carros, o transporte público é caro e horrível, o comércio de rua tende a cada vez mais ir para o shopping&#8230;</p>
<p>Desse modo, o carnaval também é resistência: pelo direito de se divertir, pelo direito de ocupar o espaço público, pelo direito de obter equipamentos públicos que dêem dignidade ao cidadão, pelo direito de livre reunião, pelo direito de se vestir como bem entender, pelo direito de cantar e dançar se sem saber com quem, pelo direito de xingar seu prefeito, pelo direito de não ser identificado como gado&#8230;</p>
<h5><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_2196.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3600" title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_2196.jpg" alt="" width="580" height="387" /></a>Pré-carnaval, 2012. Vila Madalena, São Paulo. Foto: Olegário A. Filho.</h5>
<p>E nada mais carnavalesco do que criar, misturar e alterar uns versos do Chico Buarque, aproveitando as grandes expectativas criadas no ano de 2011:</p>
<p style="text-align: center;">Em 2012,<br />
a banda vai passar<br />
E como você vai proibir<br />
&#8220;Quando o galo insistir<br />
Em cantar?<br />
Água nova brotando<br />
E a gente se amando<br />
Sem parar.&#8221;</p>
<p>Boa folia (é seu direito)!</p>
<p>Olé</p>
<p>PS: mais fotos da folia do dia 12/02/12 na Vila Madalena, <a title="Vereda Estreita: &quot;Álbum: Folia autorizada – São Paulo, 2012&quot;" href="http://veredaestreita.org/2012/02/16/album-folia-autorizada-sao-paulo-2012/" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>Leia também:</p><ol>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2012/02/16/album-folia-autorizada-sao-paulo-2012/' rel='bookmark' title='Álbum: Folia autorizada &#8211; Vila Madá, São Paulo, 2012'>Álbum: Folia autorizada &#8211; Vila Madá, São Paulo, 2012</a></li>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2010/03/30/xixi-aqui-nao-onde-entao-sei-nao/' rel='bookmark' title='Xixi aqui não! Onde então? Sei não&#8230;'>Xixi aqui não! Onde então? Sei não&#8230;</a></li>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2009/07/04/quem-sao-os-forasteiros/' rel='bookmark' title='Quem são os forasteiros?'>Quem são os forasteiros?</a></li>
</ol>]]></content:encoded>
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		<title>Álbum: Folia autorizada &#8211; Vila Madá, São Paulo, 2012</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Feb 2012 23:22:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Olé</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura Popular]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Bloco Nóis Trupica Mais Não Cai]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[Cidade]]></category>
		<category><![CDATA[Confraria do Pasmado]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Gilberto Kassab]]></category>
		<category><![CDATA[ocupar]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Vereda Estreita]]></category>
		<category><![CDATA[Vila Madalena]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://veredaestreita.org/?p=3595</guid>
		<description><![CDATA[Fotos do pré-carnaval da Vila Madalena, São Paulo, do dia 12/02/12.
Leia também:<ol>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2007/10/14/31%c2%aa-mostra-internacional-de-cinema-de-sao-paulo/' rel='bookmark' title='31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo'>31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo</a></li>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2008/01/19/parabens-sao-paulo-4-shows/' rel='bookmark' title='Parabéns, São Paulo: 4 shows!'>Parabéns, São Paulo: 4 shows!</a></li>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2010/01/29/cinco-bibliotecas-de-sao-paulo-roteiros-456sp/' rel='bookmark' title='Cinco bibliotecas de São Paulo &#8211; ( roteiros #456SP )'>Cinco bibliotecas de São Paulo &#8211; ( roteiros #456SP )</a></li>
</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_2330.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3616" title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/uploads/2012/02/IMG_2330.jpg" alt="" width="580" height="387" /></a></p>
<p title="Vereda Estreita: &quot;Quem-pode-ir-pra-rua?&quot;">Só para deixar registrado, <a title="Desculpe a Falha Nossa: '“Ei, Kassab, vai tomar no cu!” é a mais nova e sincera declaração de amor a São Paulo'" href="http://desculpeanossafalha.com.br/%e2%80%9cei-kassab-vai-tomar-no-cu%e2%80%9d-e-a-mais-nova-e-sincera-declaracao-de-amor-a-sao-paulo/" target="_blank">no Baixo Augusta o Kassab não autorizou</a>. E <a title="Vereda Estreita: &quot;Quem-pode-ir-pra-rua?&quot;" href="http://veredaestreita.org/2012/02/16/quem-pode-ir-pra-rua" target="_blank">quem pode botar seu bloco na rua</a>?</p>
<p>Já nas ruas da Vila Madalena, no mesmo dia, 12 de fevereiro de 2012, foram registrados (fotos abaixo) blocos e foliões ocupando os espaços públicos:</p>
<p><span id="more-3595"></span></p>

<div class="ngg-galleryoverview" id="ngg-gallery-2-3595">

	<!-- Slideshow link -->
	<div class="slideshowlink">
		<a class="slideshowlink" href="http://veredaestreita.org/2012/02/16/album-folia-autorizada-sao-paulo-2012/?show=slide">
			[Mostre como slideshow]		</a>
	</div>

	
	<!-- Thumbnails -->
		
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								<img title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." alt="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/gallery/2012-album-pre-carnaval-sao-paulo/thumbs/thumbs_img_2322.jpg" width="100" height="75" />
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								<img title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." alt="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/gallery/2012-album-pre-carnaval-sao-paulo/thumbs/thumbs_img_2330.jpg" width="100" height="75" />
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	</div>
	
		
 		
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								<img title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." alt="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/gallery/2012-album-pre-carnaval-sao-paulo/thumbs/thumbs_img_2346.jpg" width="100" height="75" />
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								<img title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." alt="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/gallery/2012-album-pre-carnaval-sao-paulo/thumbs/thumbs_img_2365.jpg" width="100" height="75" />
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								<img title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." alt="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/gallery/2012-album-pre-carnaval-sao-paulo/thumbs/thumbs_img_2369.jpg" width="100" height="75" />
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								<img title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." alt="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/gallery/2012-album-pre-carnaval-sao-paulo/thumbs/thumbs_img_2376.jpg" width="100" height="75" />
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								<img title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." alt="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/gallery/2012-album-pre-carnaval-sao-paulo/thumbs/thumbs_img_2377.jpg" width="100" height="75" />
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								<img title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." alt="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/gallery/2012-album-pre-carnaval-sao-paulo/thumbs/thumbs_img_2387.jpg" width="100" height="75" />
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								<img title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." alt="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/gallery/2012-album-pre-carnaval-sao-paulo/thumbs/thumbs_img_2403.jpg" width="100" height="75" />
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								<img title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." alt="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/gallery/2012-album-pre-carnaval-sao-paulo/thumbs/thumbs_img_2404.jpg" width="100" height="75" />
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								<img title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." alt="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/gallery/2012-album-pre-carnaval-sao-paulo/thumbs/thumbs_img_2416.jpg" width="100" height="75" />
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								<img title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." alt="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/gallery/2012-album-pre-carnaval-sao-paulo/thumbs/thumbs_img_2419.jpg" width="100" height="75" />
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								<img title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." alt="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/gallery/2012-album-pre-carnaval-sao-paulo/thumbs/thumbs_img_2532.jpg" width="100" height="75" />
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								<img title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." alt="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/gallery/2012-album-pre-carnaval-sao-paulo/thumbs/thumbs_img_2561.jpg" width="100" height="75" />
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								<img title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." alt="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/gallery/2012-album-pre-carnaval-sao-paulo/thumbs/thumbs_img_2618.jpg" width="100" height="75" />
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		<div class="ngg-gallery-thumbnail" >
			<a href="http://veredaestreita.org/wp-content/gallery/2012-album-pre-carnaval-sao-paulo/img_2619.jpg" title="Pré-carnaval 2012, Vila Madalena, São Paulo. 12/02/12. Foto: Olegário A. Filho." class="shutterset_set_2" >
								<img title="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." alt="Pré- Carnaval 2012, Vila Madá, São Paulo." src="http://veredaestreita.org/wp-content/gallery/2012-album-pre-carnaval-sao-paulo/thumbs/thumbs_img_2619.jpg" width="100" height="75" />
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		</div>
	</div>
	
		
 	 	
	<!-- Pagination -->
 	<div class="ngg-clear"></div> 	
</div>


<p>&nbsp;</p>
<p>Mais fotos no <a title="Flickr do Vereda Estreita: &quot;Pré-carnaval autorizado 2012 - Viila Madalena, São Paulo&quot;" href="http://www.flickr.com/photos/veredaestreita/sets/72157629350785953/" target="_blank">Flickr deste blog</a>.</p>
<p>Olé</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Leia também:</p><ol>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2007/10/14/31%c2%aa-mostra-internacional-de-cinema-de-sao-paulo/' rel='bookmark' title='31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo'>31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo</a></li>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2008/01/19/parabens-sao-paulo-4-shows/' rel='bookmark' title='Parabéns, São Paulo: 4 shows!'>Parabéns, São Paulo: 4 shows!</a></li>
<li><a href='http://veredaestreita.org/2010/01/29/cinco-bibliotecas-de-sao-paulo-roteiros-456sp/' rel='bookmark' title='Cinco bibliotecas de São Paulo &#8211; ( roteiros #456SP )'>Cinco bibliotecas de São Paulo &#8211; ( roteiros #456SP )</a></li>
</ol>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://veredaestreita.org/2012/02/16/album-folia-autorizada-sao-paulo-2012/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

