Para parar de pensar

Publicado em 19 de agosto de 2008, às 1:33. | 1 Comentário

Artigo sobre Colunistas, Literatura.


Capa do Livro - Como me tornei estúpido

Quer parar de pensar? Caso sim ou não, a dica é o livro “Como Me Tornei Estúpido”, de Martin Page, um bem escrito manual, ou narração, de como deixar o mundo da lucidez que fará qualquer leitor pensar sobre parar de pensar.

Antonie, um intelectual de vinte e cinco anos, quer “cobrir o cérebro com o manto da estupidez”. O plano inicial é o álcool, mais precisamente o engarrafado vendido em bares. A jornada de proclamação à independência ao saber, entretanto, é longa: do bar para uma escola de suicidas, da escola ao antigo pediatra e, por fim, do pediatra às pílulas Felizac, que o fazem encontrar o “mundo real”.

A odisséia é salpicada de acontecimentos engraçados e, um tanto quanto, possíveis a qualquer um. O drama intelectual é, na verdade, uma comédia intrigante em que as idéias incrivelmente bem enlaçadas, adicionadas à temática resultam em um livro que consegue deixar o leitor ancorado à trama. Além disso, o cenário contemporâneo permite que a leitura se aproxime da realidade.

Page, um parisiense nascido em 1975, faz do best-seller, além do livro ganhador do prêmio Euregio-Schüler Literaturpreis 2004, uma ótima pedida para pensar sobre o não-pensar de uma forma descontraída. Pelo livro ser pequeno, 160 páginas no formato pocketbook, e escrito de uma forma descontraida, a leitura torna-se fácil e agradável. Além do mais, é um belo passeio por Paris.

Lucas Rossi




Cinema vs. China

Publicado em 14 de agosto de 2008, às 23:42. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Cinema, Colunistas.


Aproveitando a época de Olimpíadas e os olhares todos voltados para o lado de lá do mundo, mais especificamente para a China, resolvi escrever um pouco sobre a sétima arte dentro desse país que possui uma história tão conturbada.

O cinema é uma das artes mais controladas dentro da China. Há até pouco tempo atrás, a maioria dos cineastas chineses vivia na clandestinidade, trabalhava sem recursos e era submetida ao Departamento Nacional do Cinema, que proibia o aluguel de equipamentos, entre outras represálias. No final de 2001, o Regulamento da Indústria Cinematográfica no país foi modificado, autorizando os cineastas a pedirem “permissão de produção” para o Departamento e acabando, assim, com o monopólio dos estúdios e a clandestinidade dos diretores.

Apesar disso, a censura do país em relação ao cinema ainda é muito grande. Muitos filmes são banidos todos os anos e outros só passam pela censura com grande parte do material cortado, filmes de Hollywood são limitados a apenas 30 por ano e existem cerca de mil salas de cinema no país inteiro. Com todas essas complicações, o mercado de filmes piratas na China é muito grande e preferido pelos chineses que apreciam o cinema.

O gênero mais popular do cinema chinês são os filmes de kung fu e poucos filmes desse país se tornaram mundialmente conhecidos. Porém, mesmo com todos esses problemas, o cinema chinês já fez grandes produções, um exemplo disso é o filme “O tigre e o dragão” (2000), que apesar de ser dirigido por um taiwanês, Ang Lee, narra a história de duas mulheres, com grandes habilidades em artes marciais, cujos destinos se cruzam em meio à Dinastia Ching, na China. O filme mistura fantasia, lutas, romance e lendas orientais e recebeu vários prêmios, dentre eles Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Fotografia, Direção de Arte e Trilha Sonora.

Outro filme que, apesar de não ter recebido tantas premiações, também faz parte das grandes produções chinesas é “Herói” (2002) , produzido por Quentin Tarantino e protagonizado por Jet Li.  O filme se passa na China antes da unificação e o estado de guerra ininterrupto entre as várias dinastias existentes. O ponto forte de “Herói” é a sua belíssima fotografia que vibra e coloca as cores quase como protagonistas do filme.

Para aqueles que não são muito fãs do cinema asiático e línguas estranhas, há sempre a opção mais românica e infantil, como Mulan (1998). O desenho foi  produzido pela Disney que tomou algumas liberdades para narrar a sua versão da história (pra variar, né?) e acabou causando certo desconforto entre o público chinês. Mesmo assim, o desenho arrecadou cerca de 310 milhões de dólares pelo mundo, superando seus antecessores “Hércules” (1997) e “O Corcunda de Notre-Dame” (1996).

Bom, agora é só escolher, estourar a pipoca e assistir não só os grandes atletas atuando na terra dos olhos puxados, mas também essas grandes produções.

Bom filme e boas Olimpíadas para todos!

Até a próxima!

Marina Travassos




Nossa vida não cabe num filme

Publicado em 12 de agosto de 2008, às 3:05. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Cinema, Em cartaz / A ser exibido.


Família do filme

Devo confessar que não foi muito boa minha primeira impressão do filme “Nossa vida não cabe num Opala”. A estética era muito bonita, a fotografia puxava sempre os tons mais noturnos e bonitos de São Paulo e o filme guarda várias referências escondidas pelos cantos. Mas o filme não se fechava pelo simples fato de se passar nos dias de hoje.

Tudo no filme parece deslocado 20 anos no tempo. A família de ladrões continua a robar Opalas como seu pai fazia desde sempre, as músicas ainda tocam de velhos vinis e os criminosos não utilizam armas, lutam com as próprias mãos no Boxe clandestino.

O filme já começa emblemático, com a morte do pai de quatro irmãos sem mãe. Tudo normal, caso este não fosse ladrão de carros e este ofício não tivesse sido passado aos dois mais velhos. O filme se fecha com aparições do falecido aos quatro, mas impreterivelmente estes não seguem seus conselhos e acabam por cumprir o destino que o pai havia traçado para eles ainda em vida. Deste modo um final ainda mais emblemático que o começo faz com que o espectador saia da sala com reflexões.

Depois de refletir pude perceber que a incoerência temporal no filme ocorre pela  coerência da própria estória, onde o pai já havia determinado aquele destino muitos anos antes, e assim ele se cumpre do mesmo modo dentro do mesmo cenário.

Por fim tive a oportunidade de conversar um pouco com o diretor Reinaldo Pinheiro, que já havia dirigido 7 curtas e apresenta agora este seu primeiro longa-metragem. Ele falou sobre o roteiro baseado em um texto do dramaturgo Mário Bortolotto e sobre a dificuldade de se fazer cinema no Brasil.

Imaginem que super-produções americanas, como o Batman, tem custos de produção que chegam a 200 milhões de dólares, enquanto este filme custou um pouco menos de 2 milhões de reais. Ou seja, seria possível gravar 200 filmes como este com o mesmo orçamento dos americanos.

Pode não ser o melhor filme do ano, mas “Nossa vida não cabe num Opala” vale o ingresso pela reflexão da sociedade que o filme provoca. Ele guarda ainda surpresas como a última aparição de Dercy Gonçalves no cinema. Deixo aqui o Making Of da participação especial que a atriz fez em um trecho do filme.

Making Of Dercy Gonçalves

Daniel Possa




Dia dos Pais

Publicado em 10 de agosto de 2008, às 1:56. | Deixe um comentário!

Artigo sobre Cultura Popular.


Hoje é o segundo domingo de Agosto, data que marca oficialmente no Brasil o “Dia dos Pais”. Essas datas comemorativas tem sempre um lado comercial, mas algumas delas guardam histórias muito interessantes.

O primeiro registro que se tem de um dia dedicado a homenagear a figura paterna data de mais de 4 mil anos, da antiga Babilônia. Quando um jovem chamado Elmesu moldou em argila um cartão que desejava saúde, sorte e longa vida ao seu pai.

Muito tempo depois, já nos Estados Unidos, a garota Sonora Luise resolveu criar o Dia do Pai em 1909. Ela se sentia muito orgulhosa de seu pai, pois este era veterano da guerra civil e superou todas as dificuldades sem a ajuda de ninguém. Logo o interesse pela data difundiu-se de sua pequena cidade para todo o Estado de Washington e tornou-se uma festa nacional alguns anos depois. Entretanto, foi somente em 1966 que a data foi oficializada. O  Dia dos Pais, é comemorado no terceiro domingo de Junho nos EUA, e grande parte dos países acabou seguindo este calendário.

No Brasil, por sua vez, a criação da data é atribuída ao publicitário Sylvio Bhering, em meados da década de 50. Tendo sido festejada pela primeira vez no dia 14 de Agosto de 1953, dia de São Joaquim, patriarca da família. Porém, com a oficialização a data foi colocada para o segundo domingo de agosto. E é por isso que a comemoramos hoje. Feliz Dia dos Pais!

Daniel Possa




Sexta-feira 8

Publicado em 8 de agosto de 2008, às 8:08. | 2 Comentários

Artigo sobre Cinema, Colunistas, Em cartaz / A ser exibido.


O que esperar de um homem que nasceu em plena sexta-feira 13 e criou um personagem macabro que, praticamente, dominou sua vida e, cujo nome do primeiro filme dirigido é O Juízo Final? Muitas coisas. O cineasta José Mojica Marins, mais conhecido por “Zé do Caixão” não é só um “personagem macabro”, mas um fenômeno do trash-cult de nossa época.

Nascido em 13 de março de 1936 numa família simples, José se interessou pela sétima arte muito cedo, talvez apoiado no fato de que seu pai era gerente do Cine Santo Estevão, em São Paulo. Aos 13 anos (número cabalístico, não?) ele dirigiu o seu primeiro curta metragem: O Juízo Final. Garoto prodígio, aos 17 anos, quando já tinha gravado quase 80 curtas- metragem, resolveu abrir a Companhia Cinematográfica Atlas (que mais tarde se chamaria Apolo Ltda.) e montou uma escola de cinema.

O seu primeiro longa metragem, Sentença de Deus, foi rodado entre 1954 e 1956. Porém, foi em 1963, depois de um pesadelo com um vulto que o arrastava até o seu próprio túmulo, que surgiu o personagem que o tornaria famoso para várias gerações: o Zé do Caixão.

O mais interessante de tudo é que Mojica Marins teve seus filmes lançados na Europa e nos Estados Unidos e ficou bem conhecido e até aclamado por aquelas bandas (pois é, Tom Zé, não foi só você!). Fora do país ele já participou de mostras, festivais e recebeu prêmios como uma homenagem pelo conjunto de sua obra no Sundance Film Festival, um dos mais importantes festivais de cinema independente. Todo esse reconhecimento, que infelizmente não foi igual no Brasil, lhe rendeu um nome estrangeiro “Coffin Joe”, milhares de espectadores e uma legião de seguidores fiéis (é só procurar no Orkut).

Mas por que chamar tanta atenção para tal figura numa sexta-feira 8? Porque justamente hoje (08/08/08) estréia o seu novo filme A encarnação do demônio levou quase 30 anos para ser rodado e é o último longa da trilogia que começou com À meia-noite levarei sua alma (1964) e apresentou depois Esta noite encarnarei no teu cadáver (1967).

A película mostra a saga de Zé do Caixão que, após muitos anos de cadeia, é libertado e tenta encontrar a mulher que possa lhe gerar um filho perfeito (o mesmo motivo que o levou ao cárcere). Durante seu caminho pela cidade de São Paulo o coveiro espalha aquilo que ele sabe fazer de melhor: o seu terror.

O filme conta com a produção de Paulo Sacramento (Amarelo Manga), figurinos de Alexandre Herchcovitch e um baixo orçamento de quase 2 milhões de reais (não se iluda, isso é bem pouco para o cinema).

Não, não estou querendo aqui “puxar o saco” do Zé do Caixão, aliás, confesso que nem eu mesma assisti muitas coisas de sua obra. Só acredito que não se deve fazer discriminações dentro do universo da arte e é por isso que escrevo este post. Afinal, um cara que sobrevive de cinema “horrorshow”, no Brasil, há uns bons 50 anos deve ter credibilidade e até mesmo admiração.

Fiquem com o trailer. Mas atenção: é só para aqueles que tem estômago, de verdade! Se você assistiu Jogos Mortais e quase passou mal nem pense em dar play.

Site oficial do filme: www.encarnacaododemonio.com.br

Site oficial do Zé do Caixão: www.zedocaixao.com.br

Até a próxima

Marina Travassos (ou Travessa pra quem preferir)




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